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Buck Sarampo

Léo Canhoto e Robertinho

Buck Sarampo

Eu sou o Buck Sarampo! Ihuu!
Vendeiro, ligue o rádio depressa que quero ouvir um pouco de futebol
Si-sim senhor, eu já vou ligar, já vou ligar

Vinte e três minutos de partida, etapa complementar
Zero para o Santos, zero para a Sociedade Esportiva Palmeiras
Bola recolhida por Clodoaldo da equipe da Vila Belmiro
Fintou Adudu, fintou Ademir da Guia, abriu para Pelé
Entregou para Dicá, voltou a bola com Pelé na entrada da área
Passou pro Luis Pereira, fintou Eurico, chamou Leão
Prepara o chute, aponta para o arco, partiu, é gol!

Quem é que está jogando aí, hein?
É o Santos e o Palmeiras
O senhor quebrou meu rádio! Mas por quê fez isso?
Quebrei porque sou corintiano

Buck Sarampo era um cara meio doido
Sempre andava procurando confusão
Ele vivia somente do seu revólver
Matar os outros era sua profissão

Me dá quatro pingas, depressa
Mas o senhor está sozinho, uma pinga só não chega?
Eu quero quatro, entendeu?
Está bem, está bem, aí estão as quatro pingas
Pode beber! Uma, tá aí, duas, três, quatro

É, trem gostoso, sô, quando que eu devo pagar pelas pingas, hein?
É, só quatro cruzeiros
É, então me dá o troco
Mas que troco? O senhor ainda não pagou
Não paguei, mas ano que vêm vou lhe pagar
E vou lhe pagar com uma nota de cem cruzeiros, tá legal?

Está bem, está bem
Aí está o troco
Ehn, e agora vou lhe dar um cacete, tá bom?
Não brinca
Vou sim
Não
E lá vai o braço!
Não, não, seu Buck, tenha dó de mim, eu sou pai de filho
Não, lá vai o braço! Vai vendo! Lá vai!
Não, não, não!

Seu Buck! Seu Buck! Eu sou a Dona Gigi
Esse aqui é meu esposo!
Ah, se eu fosse viúva me casaria com você agora mesmo!
Esse aí é seu esposo?
É sim, seu Buck
Pronto, Gigi
Você já é viúva

Buck Sarampo não sabia o que era medo
Era valente, era mesmo uma parada
Ele matou o seu próprio endereço
Ninguém sabia onde o Buck morava

Buck Sarampo, viemos aqui para te matar
Matar-me? Quem são vocês?
Eu sou o terrível Juvêncio Caxumba, e esse é meu filho, famoso Varicela
Pronto
Tombou a varicela e desceu a caxumba

Buck Sarampo, mim vai acabar com você
Acabar comigo? E quem é você?
Mim ser filho do cacique Touro Sentado
E qual é o teu nome, índio?
Mim chamar Faca Direita
Pronto, entortou a faca

Buck Sarampo, você está preso
Preso por quê?
Porque eu sou o delegado da cidade
Jogue a arma no chão
Nada de truques senão você morre!
Bem delegado, eu vou para a cadeia, mas no dia que eu sair, você me pagará
Pagará coisa nenhuma, você vai sair da cadeia pro cemitério
Vamos vamos!
Ô diacho!

Assim termina essa história minha gente
Buck Sarampo já não é mais valentão!
É esse o fim de todo cara que é valente!
Vai pro cemitério ou então para a prisão

Buck Sarampo

Yo soy Buck Sarampo, ¡Ijuu!
Tabernero, enciende la radio rápido que quiero escuchar un poco de fútbol
Sí señor, ya la voy a encender, ya la voy a encender

Veintitrés minutos de partido, segunda mitad
Cero para el Santos, cero para la Sociedad Deportiva Palmeiras
Clodoaldo del equipo de Vila Belmiro recoge el balón
Regatea a Adudu, regatea a Ademir da Guía, abre para Pelé
Pasa a Dicá, la devuelve a Pelé en la entrada del área
Pasa a Luis Pereira, regatea a Eurico, llama a León
Prepara el disparo, apunta al arco, ¡gol!

¿Quién está jugando ahí, eh?
Son el Santos y el Palmeiras
¡Señor, rompió mi radio! ¿Pero por qué hizo eso?
Lo rompí porque soy corintiano

Buck Sarampo era un tipo medio loco
Siempre buscaba problemas
Vivía solo de su revólver
Matar a otros era su profesión

Dame cuatro tragos, rápido
¿Pero está solo, un trago no es suficiente?
Quiero cuatro, ¿entendido?
Está bien, aquí están los cuatro tragos
¡Puedes beber! Uno, ahí está, dos, tres, cuatro

Sí, qué rico, ¿cuándo debo pagar por los tragos, eh?
Solo cuatro cruzeiros
Sí, entonces dame el cambio
¿Pero qué cambio? Aún no has pagado
No he pagado, pero el próximo año te pagaré
Y te pagaré con un billete de cien cruzeiros, ¿de acuerdo?

Está bien, está bien
Aquí está el cambio
Eh, ahora te voy a dar una paliza, ¿vale?
No bromees
Sí
No
¡Y allá va el brazo!
No, no, Buck, ten piedad de mí, soy padre de familia
¡No, allá va el brazo! ¡Mira! ¡Allá va!
¡No, no, no!

¡Señor Buck! ¡Señor Buck! Soy Doña Gigi
¡Este es mi esposo!
¡Ah, si fuera viuda me casaría contigo ahora mismo!
¿Este es tu esposo?
Sí, señor Buck
Listo, Gigi
Ya eres viuda

Buck Sarampo no conocía el miedo
Era valiente, era todo un personaje
Mató a su propia dirección
Nadie sabía dónde vivía Buck

Buck Sarampo, venimos a matarte
¿Matarme? ¿Quiénes son ustedes?
Soy el temible Juvêncio Caxumba, y este es mi hijo, el famoso Varicela
Listo
Cayó la varicela y bajó la caxumba

Buck Sarampo, yo te voy a acabar
¿Acabar conmigo? ¿Y quién eres tú?
Soy hijo del cacique Toro Sentado
¿Y cuál es tu nombre, indio?
Me llamo Cuchillo Derecho
Listo, torció el cuchillo

Buck Sarampo, estás arrestado
¿Arrestado por qué?
Porque soy el comisario de la ciudad
Tira el arma al suelo
¡Nada de trucos o morirás!
Bien comisario, iré a la cárcel, pero el día que salga, me pagarás
¡No pagarás nada, saldrás de la cárcel directo al cementerio!
¡Vamos, vamos!
¡Caray!

Así termina esta historia, gente
¡Buck Sarampo ya no es un bravucón!
¡Este es el destino de todo valiente!
¡Al cementerio o a la cárcel!

Escrita por: Leo Canhoto / Nenete