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Delegado Jaracuçu

Léo Canhoto e Robertinho

Delegado Jaracuçu

No lugar muito distante
Nos confins de meu sertão
Moravam dois fazendeiros
Mais bravos do que um leão

Os dois bebiam cachaça
Dia e noite no tonel
Era Urutu Cruzeiro
O outro era o Cascavel

Oh, Urutu, hoje eu acabo com você seu vagabundo!
Acaba não, Cascavel!
Acabo sim pode pedir bença pro seu pai porque agora você vai morrer
Oxente meu pai não tá em casa!
Aonde ele foi?
Ele fugiu com tua mãe!
Ah, ah, ah

Eles vivam brigando
Todo dia, toda hora
Acabando a munição
Os dois briguento ia embora

Todo dia cedo
Eles tornavam a vir
No armazém do Seu Joaquim
Eles começavam a discutir

Cascavel, paga uma cachaça pra eu?
Eu não pago cachaça pra ladrão de égua!
Ladrão de égua é tu seu fedorento! Cascavel, cadê você?
Eu tô aqui atrás do balcão!
Então levanta pra engolir uma azeitona!
Eu não gosto de azeitona!
Uai, e tu gosta de quê?
Eu gosto mesmo é de tua mulher!
Oh, seu inseto fedido! Lá vai fogo!

Certo dia o delegado
Resolveu entrar em ação
Chamou logo os dois valentes
E foi dando explicação

Pegue as armas carregadas
Vão pro alto do espigão
Se vocês não se matarem
Eu os levo pra prisão

Delegado era valente, era temido pra chuchu!
Todo mundo o chamava de cobra Jaracuçu!
Já falou pros moradores, vou acabar com esse angu!
Vamos ouvir o tiroteio do Cascavel e do Urutu!

Pois é, senhor cascavel!
Aqui estamos, eu e o senhor no meio das ventania e dos lobo uivando!
Dessa vez você não me escapa, eu vou lhe matar, sua lombriga assustada!
Tu tá muito enganado, Urutu!
Eu não como nada enrolado, não!
Pode atirar sua minhoca disfarçada!

No outro dia de manhã
O Sol nasceu mais bonito
Trazendo paz no arraial
Para aquele povo aflito

Cascavel e Urutu
Estava cheio de mosquito
Os dois furado de bala
Igual tábua de pirulito

Delegado Jaracuçu

En un lugar muy lejano
En los confines de mi región
Vivían dos hacendados
Más bravos que un león

Los dos bebían caña
Día y noche en el barril
Uno era Urutu Cruzeiro
El otro era el Cascabel

¡Oh, Urutu, hoy acabo contigo, maldito!
¡No acabes, Cascabel!
Sí, acabaré, pide bendición a tu padre porque ahora morirás
¡Mi padre no está en casa!
¿A dónde fue?
¡Se fue con tu madre!
¡Ah, ah, ah!

Vivían peleando
Todos los días, a toda hora
Acabando con la munición
Los dos peleadores se iban

Cada mañana temprano
Regresaban
A la tienda de Don Joaquín
Empezaban a discutir

¡Cascabel, ¿me compras una caña?
¡No le compro caña a un ladrón de caballos!
¡Tú eres el ladrón de caballos, apestoso! ¡Cascabel, ¿dónde estás?
¡Estoy detrás del mostrador!
¡Pues levántate para tragar una aceituna!
¡No me gustan las aceitunas!
¿Y a ti qué te gusta?
¡Lo que me gusta es tu mujer!
¡Oh, insecto apestoso! ¡Allá va fuego!

Un día el delegado
Decidió intervenir
Llamó a los dos valientes
Y les dio una explicación

Cojan las armas cargadas
Vayan a lo alto del cerro
Si no se matan entre ustedes
Los llevaré a la cárcel

¡El delegado era valiente, temido como nadie!
¡Todos lo llamaban cobra Jaracuçu!
Les dijo a los habitantes, voy a acabar con este lío
¡Vamos a escuchar los tiros de Cascabel y Urutu!

Así es, señor Cascabel
Aquí estamos, usted y yo en medio de la ventisca y los lobos aullando
¡Esta vez no te escaparás, te mataré, gusano asustado!
¡Estás muy equivocado, Urutu!
¡Yo no como nada enrollado, no!
¡Puedes disparar, tu gusano disfrazado!

Al día siguiente, por la mañana
El Sol salió más hermoso
Llevando paz al pueblo
Para aquellos afligidos

Cascabel y Urutu
Estaban llenos de mosquitos
Los dos llenos de balas
Como tablas de paleta

Escrita por: Leo Canhoto