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El Toro de Humo

Leôncio e Leonel

Boi Fumaça

Do tempo que eu fui peão ai nem gosto de alembrar.
De um transporte que eu fiz lá de Goiás pra Cuiabá.
Num dia de sexta-feira veja só o que foi se dar.
Quando a tarde foi caindo deu um forte temporal.

Relampiava e trovejava clariando o mundo inteiro.
O temporal foi deixando os animais em desespero.
Nesta viagem nóis levava quinhentos boi pantaneiro.
Bem na frente caminhava um boi fumaça traiçoeiro.

Mesmo debaixo de chuva nossa viagem continuava.
Por não ter lugar de pouso lá onde nós se encontrava.
Meu filho era o ponteiro que na frente caminhava.
Repicando seu berrante e a boiada acompanhava.

Chegando numa porteira foi assim que aconteceu.
Seu burro não encostava e pra abrir ele desceu.
O boi fumaça investiu e o menino não percebeu.
Nas guampas do pantaneiro pros ar ele suspendeu.

Fiquei louco nessa hora quando o meu filho gritou.
Eu quis salvar a sua vida mais já não adiantou.
O chifre do boi fumaça com seu sangue avermelhou.
Minhas lágrimas sentidas com a chuva descorou.

Perdi meu filho querido nesta viagem traiçoeira.
Mais guardei no coração suas palavra derradeira.
Eu queria ser peão mais findou minha carreira.
Papaizinho me enterre aqui perto dessa porteira.

Abandonei essa lida meus prazer pra mim morreram.
Mais não posso me esquecer daquele golpe traiçoeiro.
Quando escuto um berrante me arrepia o corpo inteiro.
Alembro do filho querido tempo que eu fui boiadeiro.

El Toro de Humo

Del tiempo en que fui peón, ni siquiera me gusta recordar.
De un transporte que hice de Goiás a Cuiabá.
Un viernes, mira lo que sucedió.
Cuando la tarde cayó, hubo una fuerte tormenta.

Relampagueaba y tronaba iluminando todo el mundo.
La tormenta dejaba a los animales en desesperación.
En este viaje llevábamos quinientos toros pantaneros.
Justo delante caminaba un toro de humo traicionero.

A pesar de la lluvia, nuestro viaje continuaba.
Por no tener un lugar donde descansar donde estábamos.
Mi hijo era el guía que caminaba adelante.
Tocando su berrante y guiando al ganado.

Al llegar a una puerta, así fue como sucedió.
Su burro no se acercaba y tuvo que bajar para abrir.
El toro de humo embistió y el niño no se dio cuenta.
En las astas del toro pantanero lo suspendió en el aire.

Enloquecí en ese momento cuando mi hijo gritó.
Quise salvar su vida pero ya no sirvió de nada.
El cuerno del toro de humo se tiñó de rojo con su sangre.
Mis lágrimas, mezcladas con la lluvia, se desvanecieron.

Perdí a mi querido hijo en este viaje traicionero.
Pero guardé en mi corazón sus últimas palabras.
Quería ser peón, pero mi carrera terminó.
Papito, entiérrame cerca de esta puerta.

Abandoné esta vida, mis placeres murieron para mí.
Pero no puedo olvidar ese golpe traicionero.
Cuando escucho un berrante, todo mi cuerpo se estremece.
Recuerdo a mi querido hijo, en los tiempos en que fui vaquero.

Escrita por: Moacir Dos Santo / Sulino