Rosto Do Avesso
Sou teu ego descuidado
Aquela coisa que você deixou de lado
E maltratou todo o Jazz que'u tinha
Dentro de mim.
Sou teu rosto do avesso
Me vendi pelo teu preço
E o nosso amor a gente fez
Nas noites que não estava a fim.
A fim!
A fim de dizer teu nome nas horas
E que a minha desculpa é a tua demora
E que no meu manifesto não pus o teu nome
Dizer que'u não presto só vai te fazer morrer de fome.
Você sacrificou o sax que trazia
Aquela inseticídia melancolia
Que'u sabia não ser minha.
Você me ditou o regime
E me deixou no cenário do crime
Na cena sozinha
Eu rezava por mim.
Na ribeira dos prédios teu tédio devora
Dizer qualquer coisa, menos agora
Em que sou teu cadáver e te faço besteira
Você não tem CPF e eu perdi a carteira.
Só teu rosto machucando minha flor
Pode ver por qual entrada se tange a dor
Copiei tua jogada e quebrei a cara
Porque você já tinha perdido o gol.
Perdido o gol! O gol! O gol!
Sou teu elo perdido nas noites insoantes
Ímpeto pessoal de total amante
Brilho sem dedo e rosto colado
Você se descuidou e eu paguei teu pecado.
Mas não chega, não basta, há devoradores no mundo
E todo teu tempo é meu terceiro segundo
Defumei o quarto, não cheirei teu perfume
Vou morrer na farra, você de ciúmes.
Mas não estou afim!
Afim de dizer qualquer coisa de volta
Meu coração inculto só estudou a revolta
Inspecionei teu desejo, travesseiros e barbeador
Meu gesto deixado há de ser tua dor.
Mas não estou afim!
Cara al Revés
Soy tu ego descuidado
Esa cosa que dejaste de lado
Y maltrató todo el Jazz que tenía
Dentro de mí.
Soy tu cara al revés
Me vendí por tu precio
Y nuestro amor lo hicimos
En las noches que no estaba de humor.
¡De humor!
De decir tu nombre en las horas
Y que mi excusa es tu demora
Y que en mi manifiesto no puse tu nombre
Decir que no sirvo solo te hará morir de hambre.
Tú sacrificaste el saxo que traía
Esa melancolía insecticida
Que sabía que no era mía.
Me dictaste el régimen
Y me dejaste en la escena del crimen
En la escena sola
Yo rezaba por mí.
En la ribera de los edificios tu tedio devora
Decir cualquier cosa, menos ahora
En que soy tu cadáver y hago tonterías
Tú no tienes DNI y yo perdí la billetera.
Solo tu rostro lastimando mi flor
Puede ver por qué entrada se toca el dolor
Copié tu jugada y me equivoqué
Porque tú ya habías perdido el gol.
¡Perdido el gol! ¡El gol! ¡El gol!
Soy tu eslabón perdido en las noches insonantes
Ímpetu personal de amante total
Brillo sin dedo y cara pegada
Tú descuidaste y yo pagué tu pecado.
Pero no es suficiente, hay devoradores en el mundo
Y todo tu tiempo es mi tercer segundo
Ahumé la habitación, no olí tu perfume
Voy a morir de fiesta, tú de celos.
Pero no estoy de humor
De decir cualquier cosa de vuelta
Mi corazón inculto solo estudió la revuelta
Inspeccioné tu deseo, almohadas y maquinilla de afeitar
Mi gesto abandonado será tu dolor.
Pero no estoy de humor!
Escrita por: Leonia Oliveira