Laço de Estrelas
Lonqueei a luz das estrelas, tanqueira do firmamento
Com o fio melhor do meu canto emparelhei quatro tentos
Com a argola da Lua cheia e a ilhapa das Três Marias
(Andei sovando o meu laço no trato das melodias)
Com a linda Estrela Boieira fiz o botão da presilha
E fui trançando o meu laço, rodilha após redondilha
E uma estrela ia caindo, com meu canto eu fui laçar
(Sem querer rasguei a armada do tamanho do luar)
(Doze braças tem meu canto, quatro tentos de emoção
Só ilhapa eu dou de inhapa pra o guasqueiro coração)
Meu canto, trança de estrelas e argola feita de prata
É o laço que a rima pobre remalha perto da ilhapa
Com meu verso enluarado pelas plagas do infinito
(Quis laçar os quatro ventos com as rodilhas do meu grito)
Quando então atiro o laço dessas rimas galponeiras
Elas vão na noite bamba se brandeando com as estrelas
Lá se vão cheias de abismo, rasgando a armada do espaço
(Que eu não puxo porque a Lua fica no seio do laço)
Lazo de Estrellas
Lonqueé la luz de las estrellas, tanquera del firmamento
Con el mejor hilo de mi canto aparejé cuatro tentos
Con el aro de la Luna llena y la argolla de las Tres Marías
(Anduve golpeando mi lazo en el trato de las melodías)
Con la hermosa Estrella Boyera hice el botón del prendedor
Y fui trenzando mi lazo, redondilla tras redondilla
Y una estrella iba cayendo, con mi canto fui a lazar
(Sin querer rasgué la armada del tamaño de la luna)
(Doce brazas tiene mi canto, cuatro tentos de emoción
Solo argolla doy de inhapa para el corazón guasquero)
Mi canto, trenza de estrellas y argolla hecha de plata
Es el lazo que la rima pobre remalla cerca de la argolla
Con mi verso iluminado por los campos del infinito
(Quise lazar los cuatro vientos con las redondillas de mi grito)
Cuando entonces lanzo el lazo de estas rimas camperas
Ellas van en la noche temblorosa ondeando con las estrellas
Allá van llenas de abismo, rasgando la armada del espacio
(Que no tiro porque la Luna queda en el seno del lazo)
Escrita por: Edilberto Teixeira / Enio Medeiros