395px

El Pequeño Comercio

Letícia Coura

O Pequeno Comércio

Vendi frutas e flores
Mas não funcionou
Vendi cinto e gravata
A coisa apertou
Vendi duas tesouras
E lâminas de barbear
Pentes de marfim
Tábuas de picar
Tentei até os morangos
Experimentei jasmins
Reempalhei cadeiras
Conservei jardins
Puxava minha carroça
Pela contra-mão
Quase perdi a cabeça
Mas achei a solução

Rodo de Cadillac
Pelas ruas de Paris
Desde que compreendi a vida
J'ai un petit hotel,
Três empregados e um chauffer
E os guardas me saluent
Comme un des leurs
Eu vendo canhões
Pequenos e grandões
Redondos e chatos caros e baratos
Tem sempre alguém que gosta
De instrumentos delicados
Eu sou marchand de canhões
Tragam seus filhos no meu mercado
Canhões à venda!!

Com o seu ferro-velho forjamos ces engins
Qui foutront la pagaille
Ontem hoje e amanhã
Isso dá trabalho aos trabalhadores
E cada um programa entrar numa boa grana
Pr'aumentar as finanças fabrica-se carniça
Consegue-se o seguro e o dinheiro na justiça
Mas nem tem importância
Pois se alguém crescer
Irá logo, em cadência
Por bem pouco morrer

Vendi muitos canhões pelas ruas da terra
Mas meu comércio deu certo demais
Fiz prosperarem todos os
Proprietários de cemitérios
Mas eu agora fiquei pra trás
Meus melhores clientes
Morreram de repente
E só pela vida
Eu vou sem medida
Por esquinas de ruas velhas
Le couer content e o pé ligeiro
Je danse la carmagnole
Não tem ninguém nesse puteiro
Canhões em liquidação!!!

El Pequeño Comercio

Vendí frutas y flores
Pero no funcionó
Vendí cinturones y corbatas
La cosa se apretó
Vendí dos tijeras
Y hojas de afeitar
Peines de marfil
Tablas de cortar
Intenté incluso con fresas
Probé jazmines
Reemplacé sillas
Mantuve jardines
Arrastraba mi carreta
En sentido contrario
Casi pierdo la cabeza
Pero encontré la solución

Ruedo en un Cadillac
Por las calles de París
Desde que entendí la vida
Tengo un pequeño hotel,
Tres empleados y un chofer
Y los guardias me saludan
Como a uno de los suyos
Vendo cañones
Pequeños y grandes
Redondos y planos, caros y baratos
Siempre hay alguien que le gustan
Los instrumentos delicados
Soy comerciante de cañones
¡Traigan a sus hijos a mi mercado!
¡Cañones en venta!

Con su chatarra forjamos estos ingenios
Que causarán estragos
Ayer, hoy y mañana
Esto da trabajo a los trabajadores
Y cada uno planea entrar en buen dinero
Para aumentar las finanzas, se fabrica carne
Se consigue el seguro y el dinero en la justicia
Pero no importa
Porque si alguien crece
Pronto, en cadencia
Por muy poco morirá

Vendí muchos cañones por las calles del mundo
Pero mi comercio fue demasiado exitoso
Hice prosperar a todos los
Dueños de cementerios
Pero ahora me quedé atrás
Mis mejores clientes
Murieron repentinamente
Y solo por la vida
Voy sin medida
Por esquinas de calles viejas
El corazón contento y el pie ligero
Bailo la carmagnole
No hay nadie en ese burdel
¡Cañones en liquidación!

Escrita por: Alain Goraguer / Boris Vian / Leticia Coura