Destinos Iguais
Já foi no morrer do dia
Quando eu vi com alegria
Dois canarinhos gorjear
Com bicada de ternura
O casal trocava jura
De eternamente se amar
De repente da gaiada
Aonde tava pousada
As avezinhas do amor
Surgiu um gavião malvado
Passando o bico curvado
Na canarinha e levou
O canarinho, coitado
Avoou desesperado
Perseguindo o malfeitor
Depois mais veio voltando
Muito triste soluçando
Num gorjear cheio de dor
Do zóio do canarinho
Eu vi molhado os cantinho
De chorá pelo seu bem
Uma dor foi me apertando
E meus olhos foi piscando
Sem querer chorei também
Chorei, pois tive saudade
Daquela felicidade
Que o destino me roubou
O meu viver solitário
É tal e qual deste canário
Que perdeu o seu amor
Destinos Iguales
Fue al caer el día
Cuando vi con alegría
Dos canarios cantando
Con picotazos de ternura
La pareja se juraba
Amarse eternamente
De repente, de la jaula
Donde estaban posados
Los pajaritos del amor
Apareció un gavilán malvado
Pasando el pico curvado
En la canaria y se la llevó
El canario, pobre
Voló desesperado
Persiguiendo al malhechor
Luego regresó más triste
Sollozando mucho
En un canto lleno de dolor
En los ojos del canario
Vi mojados los rincones
Llorando por su amor
Un dolor me apretaba
Y mis ojos se humedecían
Sin querer también lloré
Lloré, porque tuve nostalgia
De esa felicidad
Que el destino me robó
Mi vida solitaria
Es igual que la de este canario
Que perdió a su amor
Escrita por: Capitão Furtado / Laureano