Meu Santo João
Uma vez desperto você diz não entender
Mas se adormece compreende sem nem ver
É a má condição de sonhar pra caber
É um tiro em vão pra saber
E quando chega lá em casa num pé
Pra não cair se apóia na estante
Derruba meus santos e apaga minha vela de sete dias
Não pede desculpa, parece em luta consigo por dentro
A vizinha veio reclamar
Te defendi, ouvi um sermão
Folgado pra lá, bebum para cá, minha orelha vermelha
Eu juro João, não te quebro o galho mais não
No dia seguinte parecia ficção
É bala perdida, caminhão na contramão
Tua letra, um bilhete e um caco quebrado
Do meu santo amigo dizendo obrigado
Milagre!
Mi Santo Juan
Una vez despierto dices no entender
Pero al dormirte comprendes sin siquiera ver
Es la mala costumbre de soñar para encajar
Es un disparo en vano para saber
Y cuando llegas a casa cojeando
Para no caer te apoyas en la repisa
Derribas mis santos y apagas mi vela de siete días
No pides disculpas, pareces en lucha contigo por dentro
La vecina vino a quejarse
Te defendí, escuché un sermón
Holgazán por allá, borracho por acá, mi oreja roja
Te juro Juan, ya no te cubro más
Al día siguiente parecía ficción
Es una bala perdida, un camión en sentido contrario
Tu letra, una nota y un vidrio roto
De mi santo amigo diciendo gracias
¡Milagro!
Escrita por: Lucas Avelar