O Idiota Desta Aldeia
Rechinam meus sapatos rua em fora
Tão leve estou que já nem sombra tenho
E há tantos anos de tão longe venho
Que nem me lembro de mais nada agora
Tinha um surrão todo de penas cheio
Um peso enorme para carregar
Porém as penas, quando o vento veio
Penas que eram, esvoaçaram no ar
Todo de Deus me iluminei então
Que os doutores sutis se escandalizem:
"Como é possível sem doutrinação?"
Mas entendem-me o céu e as criancinhas
E ao ver-me assim de um poste as andorinhas
"Olha, é o Idiota desta aldeia!" dizem.
El Idiota de Este Pueblo
Rechinan mis zapatos en la calle afuera
Tan ligero estoy que ya ni tengo sombra
Y vengo de tan lejos desde hace tantos años
Que ahora ni siquiera recuerdo nada
Tenía un zurrón lleno de plumas
Un peso enorme para cargar
Pero las plumas, cuando vino el viento
Plumas que eran, revolotearon en el aire
Entonces, todo de Dios me iluminé
Que los doctores sutiles se escandalicen:
'¿Cómo es posible sin adoctrinamiento?'
Pero el cielo y los niños me entienden
Y al verme así, las golondrinas desde un poste
'¡Mira, es el Idiota de este pueblo!' dicen.
Escrita por: Lui Coimbra / Mario Quintana