Devaneio
Rosinha reponta um sonho
Na lonjura ensimesmada
De mais um domingo igual
Rosinha encomprida os olhos
Que se confundem - tão verdes
Ao verde do pastiçal
Por que o peito me buliça?
Rosinha assim se pergunta
Quase sabendo a resposta
Num pedacito de espelho
Rosinha indaga o destino
Será que o João não me gosta?
Madruga um sorriso esquivo
Só no olhar, no olhar tão verde
Que se entrefecha ao mormaço
Ai, um dia! Ai, um dia!
João me leva, sei pra onde
Na garupa do picaço
Ai, se o pai adivinhasse
Ah, meu Deus se a mãe soubesse
Do beijo que o João roubou
Quando estourou a carreira
Todo mundo olhou pra cancha
Menos João, João não olhou
Rosinha sonha acordada
Mordendo a ponta da trança
Do lado do coração
E o laçarote da trança
Fazendo "cosca" nos lábios
Parece a boca do João.
Devaneo
Rosinha vislumbra un sueño
En la lejanía ensimismada
De otro domingo igual
Rosinha alarga los ojos
Que se confunden - tan verdes
Como el verde del pastizal
¿Por qué me late el pecho?
Rosinha se pregunta así
Casi sabiendo la respuesta
En un pedacito de espejo
Rosinha cuestiona el destino
¿Será que João no me quiere?
Despierta una sonrisa esquiva
Solo en la mirada, en la mirada tan verde
Que se cierra al sol abrasador
¡Ay, algún día! ¡Ay, algún día!
João me lleva, sé a dónde
En la grupa del caballo
Ay, si mi padre lo supiera
Oh, Dios, si mi madre se enterara
Del beso que João robó
Cuando la carrera comenzó
Todos miraron hacia la cancha
Menos João, João no miró
Rosinha sueña despierta
Mordiendo la punta de la trenza
Al lado del corazón
Y el lazo de la trenza
Haciendo cosquillas en los labios
Parece la boca de João.