395px

Niño Cazador

Luis Goiano e Girsel da Viola

Menino Caçador

Quando escuto uma corrida serra abaixo descambando
alembro do Goianinho quando tinha quinze anos
o seu pai virou e disse tome lá minha dois canos
e acompanhe os caçadores que eu já não to enxergando
Pegando uma cartucheira colocou em sua cintura
e falou pros companheiros não reparem na estatura
tenho fé que esse menino vai fazer boa figura
se ele puxou o pai a chumbada é segura
Naquelas matas sombrias onde que as pintadas beram
soltaram os Americanos bem no pé de uma serra
a onça dava miado que tremia toda terra
Goianinho de coragem ficou sozinho na espera

Quando a corrida apontou dois tiros abalou o sertão
Goianinho foi ligeiro e acertou no coração
a onça pela fumaça veio em sua direção
e numa luta de morte rolaram os dois no grotão
O meu corpo até arrepia quando lembro essa passagem
Goianinho estava morto bem no pé de uma ramagem
mais adiante estava a onça o terror dessas paragens
os cachorros em silêncio na derradeira homenagem
Naquele mundão de serra nunca mais ninguém caçou
somente cantam cigarras nessas tardes de calor
uma buzina de longe enche o coração de dor
pelo toque o povo fala que é o menino caçador

Niño Cazador

Cuando escucho una carrera cuesta abajo deslizándose
recuerdo al Goianinho cuando tenía quince años
su padre se volvió y dijo toma aquí mis dos cañones
y acompaña a los cazadores que ya no estoy viendo

Tomando una escopeta la puso en su cintura
y les dijo a sus compañeros no se fijen en la estatura
tengo fe en que este niño va a destacarse
si heredó de su padre, el disparo es seguro

En esas selvas sombrías donde los pecaríes berrean
soltaron los Americanos justo al pie de una sierra
la onza maullaba haciendo temblar toda la tierra
Goianinho con valentía se quedó solo esperando

Cuando la carrera apuntó, dos disparos sacudieron el sertón
Goianinho fue rápido y acertó en el corazón
la onza, a través del humo, se acercó hacia él
y en una lucha a muerte rodaron los dos en el barranco

Mi cuerpo se eriza al recordar esta escena
Goianinho estaba muerto justo al pie de un matorral
más adelante estaba la onza, el terror de estas tierras
los perros en silencio en el último homenaje

En ese mundo de sierra, nunca más nadie cazó
solo cantan cigarras en esas tardes de calor
una bocina a lo lejos llena el corazón de dolor
por el toque, la gente dice que es el niño cazador

Escrita por: Teddy Vieira