395px

Desterrados

Luis Represas

Proscritos

Descaíram braços
ficamos sem contar o resto
que se passou outrora
apagamos traços
ficamos sem notar os vincos
na carne da memória

Já tapamos os quadros
aconchegamos os lençóis
das figuras principais
e beijamos as testas
remetendo p´ra bons sonhos
as lembranças ancestrais

Somos proscritos
senhores da face escura dos sois
já nos quiseram benditos
já nos amaram como heróis

Até já
não suportamos tanto
voltamos já
desarrumados do canto
já é depois
somos os filhos do espanto
já estamos cá
ainda nos resta um encanto

Como demónios vamos
Sobrevoando as partituras
das cabeças geniais
como toupeiras vamos
adivinhando com angústia
os passos débeis e finais

Estaremos já
De pés e mãos atados
A um conforto qualquer
Ou então esquecemos
Que viver merece a luta
Que merece uma mulher

Desterrados

Descaídos los brazos
quedamos sin contar el resto
que pasó antes
borramos huellas
quedamos sin notar las arrugas
en la carne de la memoria

Ya tapamos los cuadros
arropamos las sábanas
de las figuras principales
y besamos las frentes
enviando a buenos sueños
los recuerdos ancestrales

Somos desterrados
señores de la cara oscura de los soles
ya nos quisieron benditos
ya nos amaron como héroes

Hasta luego
no soportamos tanto
volvemos ya
despeinados del rincón
ya es después
somos los hijos del espanto
ya estamos aquí
aún nos queda un encanto

Como demonios vamos
sobrevolando las partituras
de las mentes geniales
como topos vamos
adivinando con angustia
los pasos débiles y finales

Estaremos ya
con pies y manos atados
a cualquier consuelo
o entonces olvidamos
que vivir merece la lucha
que merece una mujer

Escrita por: Luis Represas