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Tacaño

Luiz Gonzaga

Pão Duro

Sou pão duro, vivo bem
Não dou esmola, não faço favor
Não ajudo a ninguém
Sou pão duro, vivo bem
Quem quiser que faça assim
Como eu também

Eu moro no morro
Em num barracão
Não tenho tapete
Eu durmo no chão
A minha comida é uma só vez
E é muito pouquinho

Eu como de mão
Não dou endereço
Meu nome completo
Não digo a vocês
Quem me visita
Não repete outra vez

Não conto anedota
Porque não convém
A alegria que eu tenho
Não dou a ninguém
Não ando de bonde
Não ando de barca
Não ando de carro
Não ando de trem

Não dou boa-noite
Não dou boa-tarde
Não dou parabéns
Enquanto isso
Vou juntando os meus vinténs

Tacaño

Soy tacaño, vivo bien
No doy limosna, no hago favores
No ayudo a nadie
Soy tacaño, vivo bien
Quien quiera que haga lo mismo
Como yo también

Vivo en el cerro
En un barracón
No tengo alfombra
Duermo en el suelo
Mi comida es una sola vez
Y es muy poquita

Como con la mano
No doy dirección
Mi nombre completo
No lo digo a ustedes
Quien me visita
No vuelve otra vez

No cuento chistes
Porque no conviene
La alegría que tengo
No la doy a nadie
No ando en tranvía
No ando en barco
No ando en auto
No ando en tren

No doy buenas noches
No doy buenas tardes
No doy felicitaciones
Mientras tanto
Voy juntando mis monedas

Escrita por: Assis Valente, Gonzagao