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De Campeiro a Campeiro

Luiz Marenco

De Campeiro Pra Campeiro

A ti, meu irmão guerreiro
Rastreador do mesmo ideal
Meu abraço fraternal
De campeiro pra campeiro
E num gesto missioneiro
Do meu velho pago em flor
Sem aval e sem fiador
Eu te afirmo, comparceiro
De que Deus é carreteiro
Peão de tropa e payador

Eu também sou campesino
Nasci ouvindo o pampeiro
E também sou carreteiro
Por ofício e por destino
Uma junta de brasinos
Charque, farinha e torresmo
Ao tranco, rodando a esmo
Por chapadas e galpões
Carreteando as tradições
Para dentro de mim mesmo

É a glória dos payadores
Guitarra ninho dos ventos
Aonde trançamos tentos
Supremo dos campeadores
E ao longo dos corredores
Do Rio Grande potreador
Sou aquele payador
Vaqueano da liberdade
Pois me sobra autoridade
Pra contestar um cantor

É a minha filosofia
E o meu modo de cantar
Pois jamais hão de calar
Minha guitarra-poesia
Sou como a pampa bravia
Manancial de claridade
E a ti, só na imensidade
Num mastro desta payada
Deixo uma bandeira hasteada
E um peçuelo de amizade

Assim, pastor do hemisfério
Dourando o teu dia-a-dia
Leva contigo a magia
Que ronda sonho e mistério
E neste porte de gaudério
Que para nós vale tanto
Guarda, meu irmão, o encanto
Do espírito ancestral
E a inteireza vertical
Das raízes do meu canto

De Campeiro a Campeiro

A ti, mi hermano guerrero
Rastreador del mismo ideal
Mi abrazo fraternal
De campeiro a campeiro
Y en un gesto misionero
De mi viejo pago en flor
Sin aval y sin fiador
Te afirmo, compadre
Que Dios es carretero
Peón de tropa y payador

Yo también soy campesino
Nací escuchando el pampeiro
Y también soy carretero
Por oficio y por destino
Una yunta de bueyes
Charque, harina y chicharrón
Al trote, rodando a la deriva
Por mesetas y galpones
Transportando las tradiciones
Hacia mi interior

Es la gloria de los payadores
Guitarra nido de vientos
Donde trenzamos versos
Supremo de los campeadores
Y a lo largo de los corredores
Del Río Grande potro
Soy aquel payador
Vaqueano de la libertad
Pues me sobra autoridad
Para desafiar a un cantor

Es mi filosofía
Y mi forma de cantar
Pues jamás callarán
Mi guitarra-poesía
Soy como la pampa brava
Manantial de claridad
Y a ti, solo en la inmensidad
En el mástil de esta payada
Dejo una bandera izada
Y un lazo de amistad

Así, pastor del hemisferio
Dorando tu día a día
Lleva contigo la magia
Que rodea sueños y misterios
Y en este porte de gaucho
Que para nosotros vale tanto
Guarda, hermano mío, el encanto
Del espíritu ancestral
Y la integridad vertical
De las raíces de mi canto

Escrita por: João Sampaio / Luiz Marenco p