395px

Aviso a la Posteridad

Luiz Novo

Aviso À Posteridade

Durante a vida inteira não se tem porra nenhuma
Mas, quando a morte nos dá o seu sorriso amarelado
Cinco minutos depois estamos completamente cercados
São coroas, flores, são arranjos preparados

Como se já estivessem esperando pela nossa morte
Como se já soubessem qual seria a nossa sorte
E nos presenteiam com faixas expressando saudades
E nos reservam toda a sorte de homenagens

Choram ao lado do caixão, molhando o nosso terno
E rezam ao Pai, pelo nosso descanso eterno
Dizem que seremos felizes a partir de agora
Quando nada fizeram por nós pela vida afora

Por isso, eu não quero nenhuma homenagem póstuma
Por isso, eu não quero uma rua com meu nome
Não, eu não quero o meu busto em praça pública
Sinceramente, eu prefiro a minha parte em dinheiro

Pois não me interessa o seu reconhecimento
Logo após o meu falecimento
Eu sei que pode parecer ingratidão
Mas, afinal vocês sempre me deixaram na mão

Por isso, eu não quero nenhuma homenagem póstuma
Por isso, eu não quero uma rua com meu nome
Não, eu não quero o meu busto em praça pública
Sinceramente, eu prefiro a minha parte em dinheiro

Aviso a la Posteridad

Durante toda la vida no tenemos nada de mierda
Pero, cuando la muerte nos regala su sonrisa amarillenta
Cinco minutos después estamos completamente rodeados
Son coronas, flores, arreglos preparados

Como si ya estuvieran esperando nuestra muerte
Como si ya supieran cuál sería nuestro destino
Y nos obsequian con bandas expresando nostalgia
Y nos reservan toda clase de homenajes

Lloran al lado del ataúd, mojando nuestro traje
Y rezan al Padre, por nuestro descanso eterno
Dicen que seremos felices a partir de ahora
Cuando nada hicieron por nosotros en la vida entera

Por eso, no quiero ningún homenaje póstumo
Por eso, no quiero una calle con mi nombre
No, no quiero mi busto en la plaza pública
Sinceramente, prefiero mi parte en dinero

Pues no me interesa tu reconocimiento
Justo después de mi fallecimiento
Sé que puede parecer ingratitud
Pero, al fin y al cabo, siempre me dejaron tirado

Por eso, no quiero ningún homenaje póstumo
Por eso, no quiero una calle con mi nombre
No, no quiero mi busto en la plaza pública
Sinceramente, prefiero mi parte en dinero

Escrita por: Luiz Novo