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Carta de Despedida

Luiza Boê

Carta de Despedida

Preciso me despedir
Peço desculpas por não me estender
Mesmo que ainda pareça restar
Tanto tempo

A água fervendo pro chá
Não há mais o que explicar
Talvez, explicar é sinal
De não estar atento

Preciso estar distraída
Encontrar a saída pro meu sofrer
Mas, em certa medida, também dói a vida
Ficar sem você

A nossa despedida
Nunca é contida
Nunca é resumida
Mas é tão sentida
E eu sinto muito por não poder

Mas eu sei por onde eu andei
E os lugares aonde nunca cheguei
Mesmo tentando, mesmo tentando

E eu sei que isso vai doer
Mas o tempo faz tudo esquecer
Mesmo amando, mesmo amando

Eu lamento
Mas neste momento
Eu preciso ir
E talvez aprender
Que errando eu sei
Mais o que eu posso ser

Se um dia
Eu te encontrar no caminho
E você estiver sozinho
Eu vou te abraçar
Eu não vou correr
Tenho tanto
Pra te agradecer

Carta de Despedida

Necesito despedirme
Pido disculpas por no extenderme
Aunque aún parezca
Quedar tanto tiempo

El agua hirviendo para el té
Ya no hay más que explicar
Quizás, explicar es señal
De no estar atento

Necesito estar distraída
Encontrar la salida a mi sufrimiento
Pero, en cierta medida, también duele la vida
Estar sin ti

Nuestra despedida
Nunca es contenida
Nunca es resumida
Pero es tan sentida
Y lamento mucho no poder

Pero sé por dónde caminé
Y los lugares a los que nunca llegué
Aunque lo intenté, aunque lo intenté

Y sé que esto va a doler
Pero el tiempo lo borra todo
Aunque ame, aunque ame

Lamento
Pero en este momento
Necesito irme
Y tal vez aprender
Que al errar sé
Más de lo que puedo ser

Si algún día
Te encuentro en el camino
Y estás solo
Te abrazaré
No huiré
Tengo tanto
Que agradecerte

Escrita por: Luiza Boê