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Tapera Caída

Luizinho, Limeira e Zezinha

Tapera Caída

Cabocla, se ocê soubesse
Quanto meu peito padece
Sofrendo tanta mardade
Vancê, eu sei, não se ria
Mostrando tanta alegria
Vendo eu chorá de sôdade

Essa sôdade marvada
Que fez no peito morada
Depois que ocê me deixô
Como tapera caída
Que foi pros mato invadida
Depois que os dono mudô

Vancê não sente sôdade
Ri de felicidade
Tem outro amor, tem prazê
Eu vendo vancê contente
Tenho inveja dessa gente
Que não sabe o que é sofrê

Mas se um dia o seu amô
Deixá de sê moradô
Deixá seu peito vazio
Vancê não ri de ninguém
Vancê vai chorá também
Do seu amor que partiu

Cabocla se ocê soubesse
Quanto meu peito padece
E o que já passei na vida
Vancê roçava esse mato
Que me invadiu só de ingrato
Esta tapera caída

Meu peito hoje é tapera
Que nem parede não tem
Seu moradô foi-se embora
Hoje não mora ninguém

Vancê cabocla marvada
Deixô meu peito vazio
Em seu lugar a sôdade
Sabendo disso invadiu

Pois eu comparo a sôdade
Com a grama tiririca
As foia verde se arranca
Mas a raiz sempre fica

O coração é morada
Sem moradô não tem vida
Depois que ocê me deixô
Ficou tapera caída

Tapera Caída

Mujer indígena, si supieras
Cuánto sufre mi pecho
Padeciendo tanta maldad
Tú, lo sé, no te rías
Mostrando tanta alegría
Viéndome llorar de soledad

Esta soledad maldita
Que se ha instalado en mi pecho
Después de que tú me dejaste
Como una choza caída
Que fue invadida por la maleza
Después de que los dueños se mudaron

Tú no sientes soledad
Ríes de felicidad
Tienes otro amor, tienes placer
Yo al verte contenta
Tengo envidia de esa gente
Que no sabe lo que es sufrir

Pero si un día tu amor
Deja de ser habitante
Dejará tu pecho vacío
Tú no te ríes de nadie
Tú también llorarás
Por tu amor que se fue

Mujer indígena, si supieras
Cuánto sufre mi pecho
Y lo que ya he pasado en la vida
Tú rozabas este monte
Que me invadió solo de ingrato
Esta choza caída

Mi pecho hoy es una choza
Que ni siquiera tiene paredes
Su habitante se ha ido
Hoy no vive nadie

Tú, mujer indígena maldita
Dejaste mi pecho vacío
En su lugar la soledad
Sabiendo esto invadió

Pues yo comparo la soledad
Con la grama tiririca
Las hojas verdes se arrancan
Pero la raíz siempre queda

El corazón es morada
Sin habitante no tiene vida
Después de que tú me dejaste
Quedó la choza caída

Escrita por: João Pacífico