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¡Es suficiente!

Lívia Cruz

É Pokas!

Ensinada a dar os primeiros passos
Já desviando os olhares, não pise em falso
Não encare, se cale

Se prepare pro concurso de beleza
Que a sua inteligência não vale
Mantenha as aparências, não fale

Sorria, você tá sendo filmada
Medida, domada
Pra ser domesticada, sorria
Mesmo violentada, permaneça calada
Deve ser recatada, sorria, sorria

Mas nem tanto não ser taxada de vadia
A culpa é sua quando ele te assedia
Nem pense em reagir, isso seria ousadia
Não seja arredia, desvia, desvia

Até a hora que cê vai encontrar
Um homem pra te honrar
Proteger e te dar um lar
Pera lá, minha cota eu quero em dólar
O seu plano não cola
Ajoelha e implora por perdão

Fala em nome de Deus, pregam alienação
Eles protegem os seus e mandam na televisão
Tem a ver com o capital
Estratégia de opressão
Eles são donos do poder
Nós somos donas da revolução

Se eu disser não é pokas
Pro seu sermão é pokas
Eu não tô a disposição
Seus vacilão é pokas
Cai na real, é pokas
Não dou moral, é pokas
Não passarão, não passarão

Religiosos votam leis
Criminosos seguem sem punição
O sistema culpa a vítima, isso é regra e não exceção
Nós somos as netas das bruxas que vocês não conseguiram queimar

Não vão nos silenciar
Por nós, por mim, pelas outras
Já falei pra vacilão é pokas
E nós não vamos parar

A carne mais barata do mercado é da mulher
Preta, pobre, de periferia
Nós vamos acabar com esse legado
Esse rastro de morte, que somos a maioria

Não vamos pela fé nem pela sorte
Nós somos de luta
Cansamos de luto
Nós somos a maioria

Meu corpo não é seu produto ou mercadoria
Não é bem de consumo
E nós somos a maioria
Por nós, por mim, e pelas outras
E pelas nossas crias
Não passarão, não passarão
Não passarão, é pokas

Se eu disser não é pokas
Pro seu sermão é pokas
Eu não tô a disposição
Seus vacilão, é pokas
Cai na real, é pokas
Não dou moral, é pokas
Não passarão, não passarão

¡Es suficiente!

Enseñada a dar los primeros pasos
Ya desviando las miradas, no pises en falso
No mires, cállate

Prepárate para el concurso de belleza
Que tu inteligencia no vale
Mantén las apariencias, no hables

Sonríe, estás siendo filmada
Medida, domada
Para ser domesticada, sonríe
Aunque seas violentada, permanece callada
Debes ser recatada, sonríe, sonríe

Pero no tanto para no ser etiquetada de puta
La culpa es tuya cuando él te acosa
No pienses en reaccionar, eso sería osadía
No seas arisca, desvía, desvía

Hasta que encuentres
Un hombre para honrarte
Protegerte y darte un hogar
Espera, mi cuota la quiero en dólares
Tu plan no funciona
Arrodíllate y ruega por perdón

Habla en nombre de Dios, predican alienación
Ellos protegen a los suyos y mandan en la televisión
Tiene que ver con el capital
Estrategia de opresión
Ellos son dueños del poder
Nosotras somos dueñas de la revolución

Si digo no, es suficiente
Para tu sermón, es suficiente
No estoy disponible
Tus tonterías, es suficiente
Despierta, es suficiente
No te doy importancia, es suficiente
No pasarán, no pasarán

Religiosos votan leyes
Criminales siguen sin castigo
El sistema culpa a la víctima, eso es regla y no excepción
Nosotras somos las nietas de las brujas que no pudieron quemar

No nos silenciarán
Por nosotras, por mí, por las demás
Ya dije que tus tonterías son suficientes
Y no vamos a parar

La carne más barata del mercado es la de la mujer
Negra, pobre, de la periferia
Vamos a acabar con esta herencia
Este rastro de muerte, siendo nosotras la mayoría

No vamos por fe ni por suerte
Somos de lucha
Cansadas de luto
Nosotras somos la mayoría

Mi cuerpo no es tu producto ni mercancía
No es bien de consumo
Y nosotras somos la mayoría
Por nosotras, por mí, y por las demás
Y por nuestras crías
No pasarán, no pasarán
No pasarán, es suficiente

Si digo no, es suficiente
Para tu sermón, es suficiente
No estoy disponible
Tus tonterías, es suficiente
Despierta, es suficiente
No te doy importancia, es suficiente
No pasarán, no pasarán

Escrita por: Livia Cruz