Fantasmas do Centro Velho
Eu corro
Eu ando, eu fujo
Na direção do bairro do porto
Eu grito e me atiro no vazio
Dentro do rio
E eu vejo a morena cabocla banhando
E uma lua cor de pequi
Minha visão se perde nesse mar de sentir
E eu me preparo pro dia que vem, que vem
Boa esperança me abraça
E eu já não fico sem graça
Já passou o tempo de chorar e de sofrer
Eu durmo, acordo e vivo
No centro velho em que a memória passeia
Antepassados sussurrando baixinho em meu ouvido
Trezentos anos de espreita.
E eu sinto meu sangue de índio fervendo
Sou xamã, garimpeiro, sou negro
Colonizando meu quintal de enorme vazio
Eu me preparo pra noite que vem, que vem
Fantasmas del Centro Viejo
Yo corro
Yo camino, yo escapo
En dirección al barrio del puerto
Grito y me lanzo al vacío
Dentro del río
Y veo a la morena cabocla bañándose
Y una luna color pequi
Mi vista se pierde en este mar de sensaciones
Y me preparo para el día que viene, que viene
Buena esperanza me abraza
Y ya no me pongo tímido
Ya pasó el tiempo de llorar y sufrir
Duermo, despierto y vivo
En el centro viejo donde la memoria pasea
Antepasados susurrando bajito en mi oído
Trescientos años de acecho
Y siento mi sangre de indio hirviendo
Soy chamán, buscador de oro, soy negro
Colonizando mi patio de enorme vacío
Me preparo para la noche que viene, que viene
Escrita por: Marcio Manoo