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Agô Obí

Maíra Baldaia

Agô Obí

Em minha garganta grita uma voz-mulher
Uma dose de caos, uma dose cura
Em minha garganta grita uma voz-mulher
Uma dose de caos, uma dose cura

Te digo
Cuidado comigo
Há muito tempo eu sou fêmea
Essa força antiga e devastadora
Te aviso
Cuidado comigo
Eu sou mulher do agora
Essa força livre e revolucionária

Carrego mulheres em mim
Atravessadas em minha pálpebras
Lobas, leoas, caçadoras
Entranhadas em minha retinas
Lorde’s, Evaristo’s, Franco’s, Aparecida’s e Carolina’s

Em minha garganta grita uma voz-mulher
Uma dose de caos, uma dose cura
Em minha garganta grita uma voz-mulher
Uma dose de caos, uma dose cura

Deusa do sol e da lua, sou eco, humana, dual e animalesca
Sou amor e fúria, carne crua nua nua nua
Levo sempre comigo uma dose de caos, uma dose de cura
O que eu tenho de falar eu falo!

Em minha garganta grita uma voz-mulher
Uma dose de caos, uma dose cura
Em minha garganta grita uma voz-mulher
Uma dose de caos, uma dose cura

Agô, Obí!

Agô Obí

En mi garganta grita una voz de mujer
Una dosis de caos, una dosis de cura
En mi garganta grita una voz de mujer
Una dosis de caos, una dosis de cura

Te digo
Cuidado conmigo
Hace mucho tiempo que soy hembra
Esta antigua y devastadora fuerza
Te advierto
Cuidado conmigo
Soy mujer del ahora
Esta fuerza libre y revolucionaria

Llevo mujeres en mí
Atravesadas en mis párpados
Lobas, leonas, cazadoras
Incrustadas en mis retinas
Lorde’s, Evaristo’s, Franco’s, Aparecida’s y Carolina’s

En mi garganta grita una voz de mujer
Una dosis de caos, una dosis de cura
En mi garganta grita una voz de mujer
Una dosis de caos, una dosis de cura

Diosa del sol y de la luna, soy eco, humana, dual y animal
Soy amor y furia, carne cruda desnuda desnuda desnuda
Siempre llevo conmigo una dosis de caos, una dosis de cura
¡Lo que tengo que decir, lo digo!

En mi garganta grita una voz de mujer
Una dosis de caos, una dosis de cura
En mi garganta grita una voz de mujer
Una dosis de caos, una dosis de cura

¡Agô, Obí!

Escrita por: Maíra Baldaia