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Duerme, Negrita

Malabarista Flor

Dorme, Pretinha

Dorme, dorme pretinha
Tua mão mãe tá trabalhando, pretinha
Dorme, dorme, pretinha
Tia mãe já tá chegando, pretinha

Tá na escola estudando, correndo
Menina cuidando da cria
Mãe, irmão, avó, vizinha
Desiste nunca, nunca está sozinha

Menina, te chamam ali
Não vai, não vai
Perigo nunca se distrai
Tem filha esperando em casa

Pai, precisa assistência
Menina tá indo pra escola
Voltando sozinha
Correndo sozinha
Cuidado, pretinha

Pretinha morreu no caminho de casa
Vozinha viu na TV
Criança morreu baleada

Mais um dia pra contar
Quem de fato estava lá
Morrendo junto
Mãe, irmã, avó, vizinha

Pretinha ali caída se viu tão sozinha
Rostos na multidão em meio à agonia
Socorro não chegava
Mas flashes disparavam
Sua imagem em segundos pelas redes propagada
Ninguém sabe
Ninguém viu

Pretinha foi notícia em todo o Brasil
Seus sonhos de criança teve que esquecer
Pretinha não vivia, tinha que sobreviver
Menina levada, esperta e engraçada
Mas pra polícia, presa fácil na caçada
Aprendeu com sua avó sobre os seus ancestrais
A sexta era sagrada para os seus orixás
Pretinha teve a infância bruitalmente roubada
Mas quando questionada ela sorria e brincava
Romperam-se grilhões que um dia te prenderam
Liberdade pra uma negra é o fim do pesadelo

Duerme, Negrita

Duerme, duerme negrita
Tu madre está trabajando, negrita
Duerme, duerme, negrita
Tu tía madre ya está llegando, negrita

Está en la escuela estudiando, corriendo
La niña cuidando de los suyos
Madre, hermano, abuela, vecina
Nunca se rinde, nunca está sola

Niña, te llaman allí
No vayas, no vayas
El peligro nunca se distrae
Tiene una hija esperando en casa

Padre, necesita asistencia
La niña va a la escuela
Regresa sola
Corre sola
Cuidado, negrita

Negrita murió en el camino de regreso a casa
La abuelita vio en la TV
Niña murió baleada

Otro día para contar
Quién estaba realmente allí
Muriendo juntos
Madre, hermana, abuela, vecina

Negrita allí caída se sintió tan sola
Rostros en la multitud en medio de la agonía
La ayuda no llegaba
Pero los flashes disparaban
Su imagen en segundos se propagaba por las redes
Nadie sabe
Nadie vio

Negrita fue noticia en todo Brasil
Sus sueños de niña tuvo que olvidar
Negrita no vivía, tenía que sobrevivir
Niña traviesa, lista y graciosa
Pero para la policía, presa fácil en la caza
Aprendió de su abuela sobre sus ancestros
El sexto día era sagrado para sus orixás
Negrita tuvo la infancia brutalmente robada
Pero cuando le preguntaban, ella sonreía y jugaba
Se rompieron las cadenas que un día te ataron
La libertad para una negra es el fin de la pesadilla

Escrita por: Rebecca Braga, Giancarlo Frabetti, Shaira Mana Josy