Cangerê
(ela)
Eu já não posso,
Vou usar uma figa,
Tu não vale nada,
É pessoa antiga.
(ele)
Que mulher danada,
Para fazer intriga,
Vai-te coruja,
Raio de perdida.
(ambos)
Ai, meu deus,
Vou me benzê.
(ele)
Eu vou já é no feiticeiro.
(ela)
Fazê ?
(ele)
Um cangerê.
(ela)
Tenha dó de mim,
Tu não é disso,
Tu com essa cara,
Parece um choriço.
(ele)
E tu que parece,
Coelho de riço,
Sai daqui azar,
Sai daqui caniço.
(ela)
Não me aborreça,
Isto já é castigo,
Sai daqui seu trouxa,
Cara de sorvete.
(ele)
Ora o diabo,
Ora minha vida,
Tem de pouco e tem fome,
Sai daqui formiga.
(ela)
Vem cá benzinho,
Sê meu colibri.
(ele)
Eu vou sozinho,
Lá pra catumbi.
(ela)
Ó vem querido,
Comigo não zangue.
(ele)
É melhor cairmos,
No canal do mangue.
Cangerê
(ella)
Ya no puedo más,
Voy a usar un amuleto,
Tú no vales nada,
Eres una persona antigua.
(él)
¡Qué mujer tan maldita,
Para hacer chismes,
Vete lechuza,
Rayo de perdición.
(ambos)
Ay, Dios mío,
Voy a bendecirme.
(él)
Yo voy directo al hechicero.
(ella)
¿Hacer qué?
(él)
Un cangerê.
(ella)
Ten compasión de mí,
Tú no eres así,
Tú con esa cara,
Pareces un chorizo.
(él)
Y tú que pareces,
Conejo asustado,
Vete de aquí mala suerte,
Vete de aquí caña.
(ella)
No me molestes,
Esto ya es castigo,
Vete de aquí tonto,
Cara de helado.
(él)
¡Por el diablo,
Por mi vida,
Tiene hambre y tiene poco,
Vete de aquí hormiga.
(ella)
Ven aquí cariño,
Sé mi colibrí.
(él)
Yo voy solo,
Allá en Catumbi.
(ella)
Ven querido,
No te enojes conmigo.
(él)
Es mejor que caigamos,
En el canal del manglar.