Tico-Tico No Fubá
O tico tico cá, o tico tico lá anda comendo todo, todo o meu fubá
Olha seu Nicolau, que o fubá se vai
Pego no meu pica pau e o tiro sai
Aí eu tenho pena do susto que levou
E uma cuia cheia de fubá eu dou
Alegre já voando e piando
Meu fubá, meu fubá correndo de lá para cá
Mas houve um tempo em que ele não voltou
E seu gostoso fubá o vento levou
Triste fiquei, quase chorei, mas então vi
Logo depois não era um, mas sim já dois
Quero contar baixinho a vida dos dois
Fizeram ninhos e filhinhos depois
Todos agora pulam aqui, saltando ali
Comendo todo meu fubá
Saltando de lá para cá
Eu fui ingênuo quando acreditei no amor
Mas, pelo menos jamais me entreguei à dor
Chorei o meu choro primeiro
Eu chorei por inteiro pra não mais chorar
E o meu coração permaneceu sereno
Expulsando o veneno pelo meu olhar
Eu procurei me manter como Deus mandou
Sem me vingar que a vingança não tem valor
E depois também perdoar a quem erra
É ser perdoado na Terra
Sem ter que pedir perdão no céu
Eu não quis resolver
Eu não quis recusar
Mas do amor em ruína, uma força termina
Por nos dominar e depois proteger
Dos abismos que a vida traçar
Quando o tempo virar o único mal
E a solidão começa a ser fatal
Eu não quis refletir, não
Eu não quis recuar, não
Eu não quis reprimir, não
Eu não quis recear
Porque contra o bem nada fiz
E eu só quero algum dia
Ser feliz como eu sou infeliz
Tico-Tico No Fubá
El tico tico acá, el tico tico allá viene comiéndose todo, todo mi maíz
Mira a don Nicolás, que el maíz se va
Cojo mi pica pau y el tiro sale
Ahí siento pena por el susto que se llevó
Y una calabaza llena de maíz le doy
Alegre volando y piando
Mi maíz, mi maíz corriendo de acá para allá
Pero hubo un tiempo en que no regresó
Y su delicioso maíz el viento se llevó
Triste me quedé, casi lloré, pero luego vi
Pronto después no era uno, sino ya dos
Quiero contar bajito la vida de los dos
Hicieron nidos y críos después
Todos ahora saltan aquí, brincando allá
Comiéndose todo mi maíz
Saltando de acá para allá
Fui ingenuo cuando creí en el amor
Pero, al menos, nunca me entregué al dolor
Lloré mi llanto primero
Lloré por completo para no llorar más
Y mi corazón permaneció sereno
Expulsando el veneno por mi mirar
Procuré mantenerme como Dios mandó
Sin vengarme, pues la venganza no tiene valor
Y luego también perdonar a quien yerra
Es ser perdonado en la Tierra
Sin tener que pedir perdón en el cielo
No quise resolver
No quise rechazar
Pero del amor en ruinas, una fuerza termina
Por dominarnos y luego proteger
De los abismos que la vida traza
Cuando el tiempo se convierte en el único mal
Y la soledad comienza a ser fatal
No quise reflexionar, no
No quise retroceder, no
No quise reprimir, no
No quise temer
Porque contra el bien nada hice
Y solo quiero algún día
Ser feliz como soy infeliz
Escrita por: Zequinha de Abreu