Cicatriz da Saudade
Eu deitei na minha cama
Não conseguia dormir
Meu coração bateu forte
Quase que não resisti
Fiquei horas recordando
O lugar onde eu nasci
O ribeirão de águas claras
E do bando de araras
Nas copas dos buritis
Recordei do angiqueiro
Que a casa sombreava
Bem na frente um cruzeiro
Onde minha mãe rezava
Sempre pagando promessas
Pelas graças que alcançava
Pertinho tinha um colchete
Que cercava o piquete
Onde o gado ruminava
Me vi correndo à cavalo
No meio dos coqueirais
Papai com a viola no peito
Cantando versos imortais
É uma grande cicatriz
Que do meu peito não sai
Das madrugadas de festas
Das cantigas de serestas
Dos bons tempos de rapaz
Enfim tudo se acabou
Já não tem mais regalia
Vivo triste e solitário
Bem distante da família
É o que não sai da mente
Minha velha moradia
Hoje eu moro na cidade
Convivendo com a saudade
Até chegar os meus dias
Cicatriz de la Nostalgia
Me acosté en mi cama
No podía dormir
Mi corazón latía fuerte
Casi no resistí
Pasé horas recordando
El lugar donde nací
El arroyo de aguas claras
Y la bandada de guacamayos
En las copas de las palmeras
Recordé el árbol de angico
Que sombreaba la casa
Justo enfrente, un crucifijo
Donde mi madre rezaba
Siempre cumpliendo promesas
Por las gracias que alcanzaba
Cerca había un corral
Que rodeaba el potrero
Donde el ganado rumiaba
Me vi corriendo a caballo
En medio de las palmeras
Papá con la guitarra en el pecho
Cantando versos inmortales
Es una gran cicatriz
Que no se borra de mi pecho
De las madrugadas de fiestas
De las canciones de serenatas
De los buenos tiempos de joven
Finalmente todo se acabó
Ya no hay más regocijo
Vivo triste y solitario
Muy lejos de la familia
Es lo que no sale de la mente
Mi vieja morada
Hoy vivo en la ciudad
Conviviendo con la nostalgia
Hasta que lleguen mis días