Torquato Flores, Presente
Que eu tava morto, disseram
E eu tinha que acreditar
Pois me enterrar já quiseram
Sem flor, nem vela ou altar
Espalharam aos quatro ventos
Torquato Flores já era
Brindaram meu passamento
Como se eu fosse tapera
Que um dia me vou é certo
Mas, contrariado, asseguro
Pra quê campear no escuro
Com tantas luzes por perto?
Por isso digo e repito
Não me levem de vencida
Nem sempre ganha a corrida
Quem pinta de favorito
Cantaram morta a carreira
Antes mesmo da largada
Mas quando sentar a poeira
Verão quem cobra a parada
Dobrem a aposta, senhores
Que não se entrega um valente
Em guerras, coplas e amores
Eu grito ao pago: Presente
Em guerras, coplas e amores
Torquato Flores, presente!
Torquato Flores, Presente
Que estaba muerto, dijeron
Y tenía que creer
Pues ya querían enterrarme
Sin flor, ni vela ni altar
Corrieron la voz por todas partes
Torquato Flores ya no estaba
Brindaron por mi partida
Como si fuera una choza
Que un día me iré es seguro
Pero, en desacuerdo, aseguro
¿Para qué buscar en la oscuridad
Con tantas luces cerca?
Por eso digo y repito
No me ganen la partida
No siempre gana la carrera
Quien se pinta de favorito
Cantaron muerta la carrera
Antes de empezar siquiera
Pero cuando se calme el polvo
Verán quién marca el ritmo
Doblen la apuesta, señores
Que no se rinde un valiente
En guerras, versos y amores
Grito al pago: ¡Presente!
En guerras, versos y amores
¡Torquato Flores, presente!
Escrita por: Marco Aurélio Vasconcellos / Martim César Gonçalves