Fado Amargura
Contemplo da janela a madrugada
Os carros vão varrendo as avenidas
Perfume de miséria adocicada
Que aos poucos embriaga as nossas vidas
Contemplo esta saudade rotineira
Manchando de vergonha toda a rua
A minha própria dor à cabeceira
Do tédio a que o meu corpo se habitua
E as pombas, guardiãs do cemitério
Em que a velha cidade se transforma
Com asas de mortalha e de mistério
Cinzeiro que do céu todo se entorna
Contemplo este compasso de quebranto
Entre a vida que passa e a que ficou
Contemplo esta amargura que hoje canto
Contemplo e já não sei dizer quem sou
Fado Amargura
Miro desde la ventana la madrugada
Los autos barren las avenidas
Perfume de miseria endulzada
Que poco a poco embriaga nuestras vidas
Contemplo esta añoranza rutinaria
Manchando de vergüenza toda la calle
Mi propio dolor a mi lado
Del aburrimiento al que mi cuerpo se acostumbra
Y las palomas, guardianas del cementerio
En el que la vieja ciudad se convierte
Con alas de mortaja y misterio
Ceniza que del cielo se derrama por completo
Contemplo este compás de quebranto
Entre la vida que pasa y la que quedó
Contemplo esta amargura que hoy canto
Contemplo y ya no sé decir quién soy
Escrita por: Ana Sofia Paiva / Marco Oliveira