Pena (Rua de Martim Vaz N. 2)
Lisboa é uma criança perdida ao pé do mar
Sem casa onde dormir, trapeira onde morar
Brincando alheia à dor, ao vento que assobia
Por entre o doce véu de alguma gelosia
Lisboa é uma criança de crua pele morena
No pátio escuro e pobre da vila mais pequena
Lá vai descendo a rua, velhinha e descalçada
Vender laranja nova por pouco ou quase nada
Nocturno passarinho, cativo de orfandade
Correr da doce mágoa ao colo da cidade
Deixando duras penas a quem quiser cantar
Lisboa é uma criança perdida ao pé do mar
Pena (Calle Martim Vaz N. 2)
Lisboa es como un niño perdido junto al mar
Sin casa donde dormir, desván donde vivir
Jugando ajeno al dolor, al viento que silba
Entre el dulce velo de alguna celosía
Lisboa es como un niño de piel morena cruda
En el oscuro y pobre patio del pueblo más pequeño
Allí va bajando la calle, anciana y descalza
Vendiendo naranjas frescas por poco o casi nada
Pájaro nocturno, cautivo de la orfandad
Corriendo de la dulce tristeza al regazo de la ciudad
Dejando duras penas a quien quiera cantar
Lisboa es como un niño perdido junto al mar
Escrita por: Ana Sofia Paiva