Conclusão (part. Filipe da Guia e Coletivo Candiero)
Bertoleza entrou na festa
Pobre, negra, mulher do morro, explorada
Agora descansa, samba e dança
Os retirantes magricelos
Fabiano, sua esposa Sinhá Vitória
Seus filhinhos e até a Baleia
Não precisam mais fugir da miséria em busca de abrigo
Entraram na festa
Pedro Bala e a pobre Dora
Pirulito e os demais Capitães da Areia
Foram todos recebidos com comida de verdade
Não vão precisar mais roubar
Macabéa não precisa mais se resignar na angústia de não saber
Tudo lhe foi revelado, está desvendado
Sorri com todos os demais, está em família
É assim que vejo o final dessa parábola
Com esses representantes da alma brasileira
Finalmente encontrando um lugar de acolhimento e celebração
Porque o grande banquete não seria grandioso
Sem cada uma dessas almas quebradas
O que torna o grande banquete grande
Não é a comida fina e exótica na mesa
Nem se tem uma observação sequer de Jesus acerca do que foi servido
O que o torna grande é o fato inexorável
De ter sido a majestade graciosa, misericordiosa num nível tal
Que gente assim, gente como eu
Pela primeira vez entrou nos salões reais
Um absurdo, um disparate, um desperdício de tempero
Aqueles paladares oxidados pelo pecado
Jamais conseguiriam descrever fielmente o sabor de alimentos tão finos
Que desperdício, que assombro, que espetáculo de Rei
Como não se maravilhar diante de Sua graça?
Como não dançar e celebrar o Rei que quebra o sistema dos religiosos
E admite pecadores como Seus convidados de honra?
Come com eles, dança e canta com eles
Por mais hipnotizante que esse seja essa cena
Ela não é a última cena da parábola
A majestade termina dizendo: Eu lhes digo
Nenhum daqueles que foram convidados provará do meu banquete
Essa frase soou no salão onde Jesus contava tal história
Os convidados não tinham coragem sequer pra olhar uns pros outros
Depois de demonstrarem claramente estarem mais preocupados com a tradição
Do que com a alma quebrada e doente na porta
Depois de brigarem pelos primeiros lugares
E de suspirarem na certeza que merecem o banquete do céu
Jesus encerra Sua história sobre o valor que a vida tem
Amarrando-lhes uma bola de ferro ao calcanhar e os jogando no oceano
Esses que sabem do convite, ouviram os profetas, os mensageiros, os servos
Esses que pertencem ao ecossistema do palácio
Que foram previamente convidados
Mas que de forma insensível viraram as costas pro banquete
Esses não provarão da minha mesa
Que sentença terrível
Há quanto tempo você tem ouvido o mar lhe chamar pra celebrar?
Quanto tempo faz que você escuta a vida
Convidando pro banquete da existência?
Quantos guias lhe abriram o texto sagrado
E lhe apresentaram a beleza da festa de Deus?
Há quanto tempo você sabe sobre essa festa?
Coloque-se nos sapatos do Grupo A e me diga
Você tem virado as costas pra vida, pra o banquete de Deus?
Qual foi a última vez que você beijou sua esposa
Como quem festeja a dádiva da vida?
Qual foi a última vez que você abriu a portas do quarto de seu filho
No meio da noite, só pra ver ele respirar?
Como você fazia nos primeiros dias
Qual foi a última vez que você o ouviu, o ouviu de verdade?
É vida, agora, ao nosso redor acontecendo
Você tem celebrado esse banquete?
Qual a última vez que você andou pela cidade
E abraçando a dádiva da existência como um pobre
Que foi recebido no palácio da festa de Deus?
Talvez você diga
Eu gostaria de celebrar o banquete de Deus
A vida ao meu redor, o convite eterno
Mas comprei um terreno, meu trabalho me impede
Comprei cinco juntas de boi, a tecnologia me rouba de mim
Ou ainda você diga: Eu gostaria de me banquetear
Com as disciplinas espirituais da oração
Os sabores tão diversos da leitura das Escrituras
O culto público, a missão da igreja
Mas eu me casei, minha família toma muito o meu tempo
Se esses sapatos do Grupo A lhe servem, abandone-os agora mesmo
E decida celebrar o banquete de Deus, disponível por graça
A todos nós que um dia estávamos longe
Coloque-se agora nos sapatos do Grupo B
Estes lhe servem muito bem
Você é exatamente esse personagem na história geral
Recebeu o convite pela graça, mesmo estando longe
Sendo brasileiro, estrangeiro, distante de Abraão
Foi agregado no palácio por meio de tantos guias que lhe trouxeram até aqui
Ponha-se nesse lugar e agradeça a Deus por ter lhe chamado
Mesmo quando você não perguntava por Ele nem queria a Sua graça
Coloque-se agora nos sapatos dos guias, pelo amor de Deus
Saia desse lugar de menino mimado
Esperando que lhe sirvam o tempo todo
Vá pelas ruas da cidade e traga, comprometa-se com os outros
Pague a conta dos seus irmãos, carregue-os nos ombros
Ele quer a Sua casa cheia, sirva a Majestade
Com essa mesma diligência dos guias dessa parábola
Agora, agora coloque-se nos sapatos do Grupo C
Pense por um segundo o que é estar condenado por todos
Vivendo no isolamento, distante de qualquer um que lhe possa socorrer
Tenha misericórdia
Tenha misericórdia daqueles que você tem chamado de inimigos
Lembre-se que Deus fez as pazes com você e lhe chama de amigo
Você, que antes era inimigo de Deus, você agora é amigo
Chame assim também os que um dia você ofendeu
Odiou e condenou ao exílio
Traz de volta, busque-os à força, coloque-os na mesa
Essa é a escandalosa graça do Evangelho
É Cristo comendo peixe na praia com Seus amigos fujões e traidores
Coloque-se nesses sapatos
E por último
Tem um par de sapatos que você não deve colocar
Nem experimentar, não chegue nem perto deles
É os sapatos da Majestade
Você não tem o direito
Você não tem o direito
De dizer quem entra e quem sai dessa festa
Aqueles que o Pai chama de filho
Você recebe como irmão
Conclusión (feat. Filipe da Guia y Colectivo Candiero)
Bertoleza llegó a la fiesta
Pobre, negra, mujer del cerro, explotada
Ahora descansa, samba y baila
Los migrantes flacos
Fabiano, su esposa Sinhá Vitória
Sus hijos y hasta la Ballena
Ya no necesitan huir de la miseria en busca de refugio
Entraron a la fiesta
Pedro Bala y la pobre Dora
Pirulito y los demás Capitanes de la Arena
Todos fueron recibidos con comida de verdad
Ya no tendrán que robar
Macabéa ya no necesita resignarse a la angustia de no saber
Todo le fue revelado, está desvelado
Sonríe con todos los demás, está en familia
Así es como veo el final de esta parábola
Con estos representantes del alma brasileña
Finalmente encontrando un lugar de acogida y celebración
Porque el gran banquete no sería grandioso
Sin cada una de estas almas quebradas
Lo que hace que el gran banquete sea grande
No es la comida fina y exótica en la mesa
Ni hay una sola observación de Jesús sobre lo que se sirvió
Lo que lo hace grande es el hecho inexorable
De haber sido la majestad graciosa, misericordiosa a tal nivel
Que gente así, gente como yo
Por primera vez entró en los salones reales
Un absurdo, un disparate, un desperdicio de sabor
Esos paladares oxidados por el pecado
Jamás podrían describir fielmente el sabor de alimentos tan finos
Qué desperdicio, qué asombro, qué espectáculo de Rey
¿Cómo no maravillarse ante Su gracia?
¿Cómo no bailar y celebrar al Rey que rompe el sistema de los religiosos
Y admite a pecadores como Sus invitados de honor?
Come con ellos, baila y canta con ellos
Por más hipnotizante que sea esta escena
No es la última escena de la parábola
La majestad termina diciendo: Les digo
Ninguno de aquellos que fueron invitados probará de mi banquete
Esa frase resonó en el salón donde Jesús contaba tal historia
Los invitados no tenían ni el valor de mirarse entre sí
Después de demostrar claramente que estaban más preocupados por la tradición
Que por el alma quebrada y enferma en la puerta
Después de pelear por los primeros lugares
Y suspirar con la certeza de que merecen el banquete del cielo
Jesús cierra Su historia sobre el valor que tiene la vida
Atándoles una bola de hierro al talón y arrojándolos al océano
Esos que saben del convite, escucharon a los profetas, los mensajeros, los siervos
Esos que pertenecen al ecosistema del palacio
Que fueron previamente invitados
Pero que de forma insensible dieron la espalda al banquete
Esos no probarán de mi mesa
Qué sentencia tan terrible
¿Cuánto tiempo has estado escuchando al mar llamarte a celebrar?
¿Cuánto tiempo hace que escuchas la vida
Invitándote al banquete de la existencia?
¿Cuántos guías te han abierto el texto sagrado
Y te han presentado la belleza de la fiesta de Dios?
¿Cuánto tiempo sabes sobre esta fiesta?
Póntete en los zapatos del Grupo A y dime
¿Has dado la espalda a la vida, al banquete de Dios?
¿Cuándo fue la última vez que besaste a tu esposa
Como quien celebra el regalo de la vida?
¿Cuándo fue la última vez que abriste la puerta del cuarto de tu hijo
En medio de la noche, solo para verlo respirar?
Como hacías en los primeros días
¿Cuándo fue la última vez que lo escuchaste, lo escuchaste de verdad?
Es vida, ahora, a nuestro alrededor sucediendo
¿Has celebrado este banquete?
¿Cuándo fue la última vez que caminaste por la ciudad
Y abrazaste el regalo de la existencia como un pobre
Que fue recibido en el palacio de la fiesta de Dios?
Quizás digas
Me gustaría celebrar el banquete de Dios
La vida a mi alrededor, la invitación eterna
Pero compré un terreno, mi trabajo me impide
Compré cinco yuntas de bueyes, la tecnología me roba de mí
O aún digas: Me gustaría banqueterar
Con las disciplinas espirituales de la oración
Los sabores tan diversos de la lectura de las Escrituras
El culto público, la misión de la iglesia
Pero me casé, mi familia consume mucho de mi tiempo
Si esos zapatos del Grupo A te quedan, deséchalos ahora mismo
Y decide celebrar el banquete de Dios, disponible por gracia
Para todos nosotros que un día estábamos lejos
Póntete ahora en los zapatos del Grupo B
Estos te quedan muy bien
Eres exactamente ese personaje en la historia general
Recibiste la invitación por gracia, incluso estando lejos
Siendo brasileño, extranjero, distante de Abraham
Fuiste agregado al palacio a través de tantos guías que te trajeron hasta aquí
Pónete en ese lugar y agradece a Dios por haberte llamado
Incluso cuando no preguntabas por Él ni querías Su gracia
Póntete ahora en los zapatos de los guías, por el amor de Dios
Sal de ese lugar de niño mimado
Esperando que te sirvan todo el tiempo
Ve por las calles de la ciudad y trae, comprométete con los demás
Paga la cuenta de tus hermanos, cárgalos en tus hombros
Él quiere Su casa llena, sirve a la Majestad
Con la misma diligencia de los guías de esta parábola
Ahora, ahora póntete en los zapatos del Grupo C
Piensa por un segundo lo que es estar condenado por todos
Viviendo en el aislamiento, distante de cualquiera que pueda socorrerte
Ten misericordia
Ten misericordia de aquellos que has llamado enemigos
Recuerda que Dios hizo las paces contigo y te llama amigo
Tú, que antes eras enemigo de Dios, ahora eres amigo
Llama así también a aquellos que un día ofendiste
Odiabas y condenabas al exilio
Tráelos de vuelta, búscalos a la fuerza, ponlos en la mesa
Esta es la escandalosa gracia del Evangelio
Es Cristo comiendo pescado en la playa con Sus amigos fugitivos y traidores
Póntete en esos zapatos
Y por último
Hay un par de zapatos que no debes ponerte
Ni probar, no te acerques a ellos
Son los zapatos de la Majestad
No tienes el derecho
No tienes el derecho
De decir quién entra y quién sale de esta fiesta
Aquellos que el Padre llama hijo
Tú los recibes como hermano
Escrita por: Marco Telles, Filipe da Guia