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Grupo B (feat. Filipe da Guia y Coletivo Candiero)

Marco Telles

Grupo B (part. Filipe da Guia e Coletivo Candiero)

Comprei um campo, preciso ir vê-lo
Como assim? Comprou sem ver?
Vai ver de noite?
Sim, me desculpe

E aí outro vai dizer
Comprei cinco juntas de boi
Preciso prová-las
Comprou um equipamento
De alta tecnologia sem testar?
Vai fazer isso no meio da noite?
Sim, me desculpe

E ainda outro vai dizer
Me casei não posso ir
Esse nem pede desculpa
É a pior das mentiras
Não vai pra festa porque se casou?
Ora, casar-se não é exatamente
A maior razão pra se ir a festas
Em nossa cultura?

Noivas recém-casadas costumavam
Vestir-se com as roupas de suas bodas
Por um ano inteiro
Em todas as festas que podiam
Você está em festa
Por isso não vai pra festa?
Não faz sentido, é patético, não faz sentido

A vida convida todos os dias e ainda assim
Com as mais absurdas desculpas
A gente se afasta da festa
Como se estivéssemos todos debaixo
De um terrível acordo tramado nas sombras

A esposa do lado, uma festa para se celebrar
O filho no quarto, uma festa pra sorrir
A cidade e seus sons, seus rios
O mar convidando uma moça grávida
Festa explodindo diante dos olhos
O vinho, o pão, o livro sagrado
Encontro dos santos irmãos
Tudo gritando, chamando pra ir

Mas comprei um terreno
Meu trabalho exige muito de mim
Não posso celebrar a vida
Comprei cinco juntas de boi
A tecnologia me distrai
Filmes demais, jogos demais
Tudo de mais, não tenho tempo pra vida

Me casei, minha família, meus filhos
Precisam de mim, precisam de inglês
Precisam de Enem, precisam descansar
Não posso perder tempo
Com banquete da vida, e assim
A gente vai mandando aos montes
Poliglotas, gabaritados pro inferno

Que tragédia, não é mais engraçado
Quando a piada é a respeito de nós
O servo voltou e relatou isso ao seu senhor
Então o dono da casa irou-se
E ordenou ao seu servo, vá rapidamente
Pelas ruas e becos da cidade
E traga os pobres, os aleijados
Os cegos e os mancos
E assim no palácio eu me achei
Eu entrei pela porta da frente

Aqui o contador de história nos diz
Que uma segunda lista
De convidados é construída
Essa lista deve ser convidada
De uma forma diferente
Enquanto que no Grupo A o servo deve dizer
Venham tudo está pronto pra segunda lista
O Grupo B o senhor ordena traga
Essa palavra em seu sentido original
Que nós foi traduzida como traga
Aponta não pra um simples trazer
Como alguém que diz segue-me não
A ideia é que esta palavra evoca
Exige contato físico, comprometimento físico
Como se o senhor da festa estivesse dizendo
Traga pela mão, venha guiando
Se for preciso carregue no colo
Se for necessário ponha em seus ombros

Por que que pra primeira lista era um simples
Venham e pra segunda lista traga
Comprometa-se fisicamente?
A resposta é obvia, os primeiros convidados
Eram propícios se quisessem ir
Tinham a roupa certa, sabiam o caminho
Certamente possuíam cervos que os levassem até em carruagens ou nos ombros

Mas os convidados da Lista B mesmo que
Gostassem muito da ideia de ir
Pra esse banquete incomum, entre
Majestade e pobres, não eram capazes
De chegar lá, alguns poderiam dizer
Que lindo convite, mas eu não tenho
Roupa pra ir a um lugar desses

Outro poderia dizer
Eu sou cego, eu nunca fui pra
Aquelas bandas de cima
Nunca estive em outros lugar
Senão aqui no centro da cidade
Esmolando e tateando com dificuldade

E ainda outro poderia dizer
Eu sou aleijado, como é que eu chego até lá
É impossível pra mim
Esse lugar não é pra gente como nós
A gente não é apropriado

Por isso o servo agora deve ser também guia
Não apenas um proclamador desse banquete
Mas alguém que se compromete fisicamente
Com a causa, vai pegar alguns pela mão
Vai vestir outros, vai carregar alguém
Nos ombros, vai suar, vai cumprir sua missão
Ao custo de seu próprio conforto
E foi assim que no castelo eu me achei
Eu entrei pela porta da frente

O convite chegou até gente como nós
Gente que não era propícia
Mas foi propiciada, gente cega
Guiada pela mão, gente incapaz de andar
Carregada no colo, gente como nós
Estrangeiros, alheios dessa notícia incrível
Do banquete da Palestina

O convite foi primeiro anunciado entre eles
Mas virando as costas e fazendo pouco caso
Do banquete, o senhor fervorosamente
Envia os seus guias pra trazer a gente
De longe pra dentro da sua história

Quantos guias foram enviados
Pelo mundo todo, quanta gente
Se comprometeu fisicamente
Financeiramente, emocionalmente pra que
Gentios, forasteiros como nós, que jamais
Andamos pelos palácios de Israel
Não fazemos parte dessa história
Nem pertencemos a esse espaço geográfico
Gente distante, cegos, pobres
Descontextualizados
Gente como nós, ouvisse o convite

Assim a gente foi carregado
Até aqui, graças a Deus por cada um
Desses guias, você se lembra dos seus guias?
A maioria deles já morreu cê não sabe
Nem os nomes dos homens e mulheres
Que se comprometeram pra que esse livro
Estivesse na sua língua, no seu colo
E você pudesse ter o privilégio
De festejar o banquete

Mas tem alguns guias que
Você sabe exatamente o nome, o endereço
Cê sabe quem é que se comprometeu
Com a sua travessia até aqui
Quem te guiou na mão, cê sabe o número
De telefone dessas pessoas e talvez
Não as veja a tempo vai lá
Talvez hoje
Seja o dia, envia um WhatsApp e diz assim
Ei, obrigado por se comprometer
E me carregar até a festa, que Deus me ajude
A fazer o mesmo por alguém
Foi assim que no palácio eu me achei
Eu entrei pela porta da frente

Grupo B (feat. Filipe da Guia y Coletivo Candiero)

Compré un terreno, necesito ir a verlo
¿Cómo así? ¿Compraste sin ver?
¿Vas a ir de noche?
Sí, perdón

Y luego otro dirá
Compré cinco yuntas de bueyes
Necesito probarlas
¿Compraste un equipo
De alta tecnología sin probar?
¿Vas a hacer eso en medio de la noche?
Sí, perdón

Y aún otro dirá
Me casé, no puedo ir
Ese ni pide disculpas
Es la peor de las mentiras
¿No vas a la fiesta porque te casaste?
Vamos, casarse no es exactamente
La mejor razón para no ir a fiestas
En nuestra cultura?

Las novias recién casadas solían
Vestirse con las ropas de sus bodas
Durante un año entero
En todas las fiestas que podían
¿Estás en fiesta?
¿Y por eso no vas a la fiesta?
No tiene sentido, es patético, no tiene sentido

La vida invita todos los días y aún así
Con las excusas más absurdas
Nos alejamos de la fiesta
Como si estuviéramos todos bajo
Un terrible acuerdo tramado en las sombras

La esposa al lado, una fiesta para celebrar
El hijo en la habitación, una fiesta para sonreír
La ciudad y sus sonidos, sus ríos
El mar invitando a una chica embarazada
Fiesta estallando ante los ojos
El vino, el pan, el libro sagrado
Encuentro de los santos hermanos
Todo gritando, llamando a ir

Pero compré un terreno
Mi trabajo exige mucho de mí
No puedo celebrar la vida
Compré cinco yuntas de bueyes
La tecnología me distrae
Demasiadas películas, demasiados juegos
Todo en exceso, no tengo tiempo para la vida

Me casé, mi familia, mis hijos
Me necesitan, necesitan inglés
Necesitan Enem, necesitan descansar
No puedo perder tiempo
Con el banquete de la vida, y así
Vamos mandando a montones
Poliglotas, capacitados para el infierno

Qué tragedia, ya no es gracioso
Cuando la broma es sobre nosotros
El siervo volvió y le relató esto a su señor
Entonces el dueño de la casa se enojó
Y ordenó a su siervo, ve rápidamente
Por las calles y callejones de la ciudad
Y trae a los pobres, a los lisiados
A los ciegos y a los cojos
Y así en el palacio me encontré
Entré por la puerta principal

Aquí el contador de historias nos dice
Que una segunda lista
De invitados es construida
Esta lista debe ser invitada
De una forma diferente
Mientras que en el Grupo A el siervo debe decir
Vengan, todo está listo para la segunda lista
El Grupo B el señor ordena trae
Esta palabra en su sentido original
Que nos fue traducida como trae
No apunta a un simple traer
Como alguien que dice sígueme, no
La idea es que esta palabra evoca
Exige contacto físico, compromiso físico
Como si el señor de la fiesta estuviera diciendo
Trae de la mano, ven guiando
Si es necesario, carga en brazos
Si es necesario, pon en tus hombros

¿Por qué para la primera lista era un simple
Vengan y para la segunda lista trae
Comprométete físicamente?
La respuesta es obvia, los primeros invitados
Eran propensos si querían ir
Tenían la ropa adecuada, sabían el camino
Ciertamente tenían siervos que los llevaran en carruajes o en hombros

Pero los invitados de la Lista B, aunque
Les gustara mucho la idea de ir
A este banquete inusual, entre
Majestades y pobres, no eran capaces
De llegar allí, algunos podrían decir
Qué lindo convite, pero no tengo
Ropa para ir a un lugar así

Otro podría decir
Soy ciego, nunca he ido a
Esas partes de arriba
Nunca he estado en otro lugar
Sino aquí en el centro de la ciudad
Pidiendo y tanteando con dificultad

Y aún otro podría decir
Soy lisiado, ¿cómo llego hasta allí?
Es imposible para mí
Ese lugar no es para gente como nosotros
No somos apropiados

Por eso el siervo ahora debe ser también guía
No solo un proclamador de este banquete
Sino alguien que se compromete físicamente
Con la causa, va a tomar a algunos de la mano
Va a vestir a otros, va a cargar a alguien
En los hombros, va a sudar, va a cumplir su misión
A costa de su propio confort
Y así fue como en el castillo me encontré
Entré por la puerta principal

La invitación llegó hasta gente como nosotros
Gente que no era propensa
Pero fue propiciada, gente ciega
Guiada de la mano, gente incapaz de andar
Cargada en brazos, gente como nosotros
Extranjeros, ajenos a esta increíble noticia
Del banquete de Palestina

La invitación fue primero anunciada entre ellos
Pero dándole la espalda y haciendo poco caso
Del banquete, el señor fervorosamente
Envía a sus guías para traer a gente
De lejos para dentro de su historia

Cuántos guías fueron enviados
Por todo el mundo, cuánta gente
Se comprometió físicamente
Financieramente, emocionalmente para que
Gentiles, forasteros como nosotros, que jamás
Hemos andado por los palacios de Israel
No hacemos parte de esta historia
Ni pertenecemos a este espacio geográfico
Gente distante, ciegos, pobres
Descontextualizados
Gente como nosotros, escucharon la invitación

Así fuimos cargados
Hasta aquí, gracias a Dios por cada uno
De esos guías, ¿te acuerdas de tus guías?
La mayoría de ellos ya murió, no sabes
Ni los nombres de los hombres y mujeres
Que se comprometieron para que este libro
Estuviera en tu lengua, en tu regazo
Y pudieras tener el privilegio
De festejar el banquete

Pero hay algunos guías que
Sabes exactamente el nombre, la dirección
Sabes quién se comprometió
Con tu travesía hasta aquí
Quién te guió de la mano, sabes el número
De teléfono de esas personas y tal vez
No las veas a tiempo, ve allá
Tal vez hoy
Sea el día, envía un WhatsApp y di así
Ey, gracias por comprometerte
Y cargarme hasta la fiesta, que Dios me ayude
A hacer lo mismo por alguien
Así fue como en el palacio me encontré
Entré por la puerta principal

Escrita por: Marco Telles, Filipe da Guia