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Silencio

Marcos Almeida

Calado

Toda Roma tem uma Galileia
Todo patriarca, seus ancestrais
Toda Vila Velha tem uma capela

Para todo vento há uma vela
Todo marombado tem uma alma
Toda superfície, um fundo

Toda história tem um outro lado
Para todo barco algum calado

No calado sou poeta
Mas a gente tá gritando
Calado sou poeta

Todo solo tem um subsolo
Todo canto onde eu moro, Minas Gerais
Todo Ocidente tem um Oriente
Para toda guerra, um tempo de paz

Toda hora tem um dia inteiro
Toda pátria tem um estrangeiro
Todo tempo tem eternidade
Para todo medo vai, me valha a verdade

No calado sou poeta
Mas a gente tá gritando
Eu sou poeta
Quando eu posso ouvir você falar?

Sobre as ondas desse barulho
Só você me faz flutuar

Bem debaixo dos meus olhos
A força que me sustentava
Graça que desmonta o óbvio
Ninguém poderá silenciar

Silencio

Toda Roma tiene una Galilea
Todo patriarca, sus ancestros
Toda Vila Velha tiene una capilla

Para todo viento hay una vela
Todo musculoso tiene un alma
Toda superficie, un fondo

Toda historia tiene otro lado
Para todo barco algún silencio

En silencio soy poeta
Pero estamos gritando
En silencio soy poeta

Toda tierra tiene un subsuelo
Todo lugar donde vivo, Minas Gerais
Todo Occidente tiene un Oriente
Para toda guerra, un tiempo de paz

Toda hora tiene un día entero
Toda patria tiene un extranjero
Todo tiempo tiene eternidad
Para todo miedo, que me valga la verdad

En silencio soy poeta
Pero estamos gritando
Soy poeta
¿Cuándo puedo oírte hablar?

Sobre las olas de este ruido
Solo tú me haces flotar

Bien debajo de mis ojos
La fuerza que me sostenía
Gracia que desarma lo obvio
Nadie podrá silenciar

Escrita por: Marcos Almeida