A Flor
Em teu jardim perfumado
Nasceu uma flor tão diferente daquelas que havia plantado
Não tinha beleza nem requinte
Não era rica nem charmosamente elegante
Foi colocada pelo pássaro viajante
Que deixou a semente
Você se apaixonou pela singela flor
Que nada tinha a te oferecer
Senão o amor de sua pétala perfumada
Mas você não regava
Pois só estava ali quando você precisava
E a chuva era quem sempre molhava
Mas um dia a chuva deixou de cair
E a seca transformou tudo ao redor
O jardim morrendo e você não notava
Resistiram as mais fortes quando a chuva voltou
Mas a plantinha tão frágil murchou
Quando você a segurou em tuas mãos
Desesperada você tentou regar
Vários dias sem parar
Mas a plantinha morta não conseguiu voltar
Durante meses você chorou sem parar
A saudade não conseguia te deixar
Mas como tudo um dia também irá passar
Quando a saudade deixou o jardim
Uma nova semente surgiu em tuas mãos
Mais uma para você plantar
Talvez agora você tenha aprendido
Que a flor no outono também é preciso regar
Para que cada primavera ela possa novamente brotar
Você olhou para o céu azul
E para o jardim florido e perfumado
Mas você lembrou daquela flor
Que te acompanhava mesmo sem ser amado
Agora você sabe tudo que tinha
Do pouco que por você deixou de ser cultivado
Ficou a lição em simples palavras
Que só aprendemos quando perdemos:
Que amor é esse que te abandona
Quando você não tem algo mais a oferecer?
Estará lá sempre que você precisar
Mas em algum momento de você também precisará
Una Flor
En tu jardín perfumado
Ha nacido una flor tan diferente de las que habías plantado
No tenía belleza ni refinamiento
No era rica ni encantadoramente elegante
Fue plantada por el pájaro viajero
Que dejó la semilla
Te enamoraste de la sencilla flor
Que no tenía nada que ofrecerte
Excepto el amor de su pétalo perfumado
Pero tú no la regabas
Solo estabas allí cuando la necesitabas
Y la lluvia era quien siempre la mojaba
Pero un día la lluvia dejó de caer
Y la sequía lo transformó todo a su alrededor
El jardín muriendo y tú no lo notabas
Las más fuertes resistieron cuando la lluvia regresó
Pero la plantita tan frágil se marchitó
Cuando la tomaste en tus manos
Desesperada intentaste regarla
Varios días sin parar
Pero la plantita muerta no pudo revivir
Durante meses lloraste sin parar
La nostalgia no podía dejarte
Pero como todo, un día también pasará
Cuando la nostalgia dejó el jardín
Una nueva semilla surgió en tus manos
Una más para que plantes
Tal vez ahora hayas aprendido
Que también es necesario regar la flor en otoño
Para que cada primavera pueda florecer de nuevo
Miraste al cielo azul
Y al jardín florido y perfumado
Pero recordaste aquella flor
Que te acompañaba incluso sin ser amado
Ahora sabes todo lo que tenías
De lo poco que dejaste de cultivar por ti
Quedó la lección en simples palabras
Que solo aprendemos cuando perdemos:
¿Qué amor es ese que te abandona
Cuando ya no tienes nada más que ofrecer?
Estará allí siempre que lo necesites
Pero en algún momento también lo necesitarás tú
Escrita por: Marcos A.F.Cardoso