O Boiadeiro e o Berrante
Olha seu moço
meu berrante pendurado
todo sujo empoeirado
na parede do porão
há muito tempo eu ali dependurei
nele nunca mais toquei
pra não chorar de paixão
também meu peito
já não tem força bastante
pra repicar o berrante
e amenizar minha dor
de uma saudade
das estradas e poeira
de uma vida boiadeira
que pra mim já se acabou
Porque saudade machuca tanto
nem do meu pranto você não tem dó
e como dói é torturante
ver meu berrante todo coberto de pó
Olha seu moço como dói meu coração
ver a minha profissão que não tem mais serventia
porque agora se transporta uma boiada
numa gaiola fechada
em modernas rodovias
não tem poeira não tem grito de peão
não se ouve no sertão
um berrante em surdina
por isso sinto no meu peito a grande dor
o progresso me forçou
a mudar a minha sina
Porque saudade machuca tanto
nem do meu pranto você não tem dó
e como dói é torturante
ver meu berrante todo coberto de pó
Olha seu moço
meu berrante no abandono
parece que não tem dono
o seu toque emudeceu
quando lhe vejo
os meus olhos enchem d'agua
remoendo minhas magoas
me pergunto quem sou eu
eu sou aquele um antigo boiadeiro
um velho peão estradeiro
sem cavalo e sem boiada
que ainda guarda um berrante pendurado
como um troféu polvilhado
de poeira das estradas
Porque saudade machuca tanto
nem do meu pranto você não tem dó
e como dói é torturante
ver meu berrante todo coberto de pó
El Vaquero y el Cuerno
Mira, señor
mi cuerno colgado
todo sucio y polvoriento
en la pared del sótano
hace mucho tiempo lo colgué allí
nunca más lo toqué
para no llorar de pasión
tampoco mi pecho
ya no tiene suficiente fuerza
para tocar el cuerno
y aliviar mi dolor
de una añoranza
de los caminos y el polvo
de una vida de vaquero
que para mí ya terminó
Porque la añoranza duele tanto
ni de mi llanto tienes compasión
y qué dolor tan tortuoso
ver mi cuerno todo cubierto de polvo
Mira, señor, cómo duele mi corazón
ver mi profesión que ya no tiene utilidad
porque ahora se transporta el ganado
en jaulas cerradas
por modernas carreteras
no hay polvo, no hay gritos de peones
no se escucha en el campo
un cuerno en silencio
por eso siento en mi pecho el gran dolor
el progreso me obligó
a cambiar mi destino
Porque la añoranza duele tanto
ni de mi llanto tienes compasión
y qué dolor tan tortuoso
ver mi cuerno todo cubierto de polvo
Mira, señor
mi cuerno abandonado
parece que no tiene dueño
su sonido se ha apagado
cuando lo veo
mis ojos se llenan de lágrimas
removiendo mis penas
me pregunto quién soy
soy aquel antiguo vaquero
un viejo peón de camino
sin caballo y sin ganado
que aún guarda un cuerno colgado
como un trofeo cubierto
de polvo de los caminos
Porque la añoranza duele tanto
ni de mi llanto tienes compasión
y qué dolor tan tortuoso
ver mi cuerno todo cubierto de polvo
Escrita por: J. Wilson / Marcos Violeiro