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Marias Nadie

Maria Lídia

Marias Ninguém

Olha, as namoradas da noite já vêm,
Olha as encantadas da noite em Belém
Que deixaram as tocas, as ocas vazias
Na periferia do bem

Imaturas, impuras meninas,
São duras as sinas que têm
Vão parindo anjinhos sem asas
No porão das casas,
Das Casas do Bem

Porque não sabem de nada
Da calçada, nem do vai-e-vem
Vendem os corpos e os sonhos
Por pão ou pó, por carinho ou vintém

Vai, que as namoradas da noite já vêm
Vai, que as encantadas da noite em Belém
Já deixaram as tocas, as ocas vazias
Na periferia do bem

São só doces e puras crianças
Quem brincam com o mal muito bem
Se despem das chitas e tranças
Se deitam, não sabem,
Não sabem com quem

Um dia acordam cansadas
Já não são tão meninas também
Aonde vão as namoradas
Desencantadas Marias Ninguém

Marias Nadie

Mira, las novias de la noche ya vienen,
Mira a las encantadas de la noche en Belén
Que dejaron las madrigueras, las chozas vacías
En la periferia del bien

Inmaduras, impuras niñas,
Son duras las penas que tienen
Van pariendo angelitos sin alas
En el sótano de las casas,
De las Casas del Bien

Porque no saben de nada
De la vereda, ni del ir y venir
Venden los cuerpos y los sueños
Por pan o polvo, por cariño o moneda

Ve, que las novias de la noche ya vienen
Ve, que las encantadas de la noche en Belén
Ya dejaron las madrigueras, las chozas vacías
En la periferia del bien

Son solo dulces y puras niñas
Que juegan con el mal muy bien
Se despojan de las chitas y trenzas
Se acuestan, no saben,
No saben con quién

Un día despiertan cansadas
Ya no son tan niñas también
¿A dónde van las novias
Desencantadas Marias Nadie

Escrita por: Leila Chavantes / Maria Lidia