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Iara

Mario Gil

Iara

Iara das águas, ouvi tua voz
Cantando nos igapós.

Teu canto é doce, mais doce do que...
Do que o licor do bangüê.

Teu olho brilha, na lenda que ouvi,
Mais que olho de sucuri.

Caboclo conta que quem já te olhou
Morreu ou se encandeou...

Iara, teu canto me dá calundu
Mais do que o uirapuru.

Vem, mãe-dos-rios, me deixa te olhar
Vem, meu Tutu-Marambá...

Crave em mim o teu olhar de muiraquitã
Vem, me deixa seu teu curimã...

Se é mais belo que o das moças de Santarém
Que olho que Iara tem!
Me olha, Iara, vem!

Iara

Iara de las aguas, escucho tu voz
Cantando en los pantanos.

Tu canto es dulce, más dulce que...
Que el licor del bangüê.

Tus ojos brillan, en la leyenda que escuché,
Más que los ojos de la anaconda.

El caboclo cuenta que quien ya te ha mirado
Murió o se deslumbró...

Iara, tu canto me da escalofríos
Más que el uirapuru.

Ven, madre-de-los-ríos, déjame mirarte
Ven, mi Tutu-Marambá...

Graba en mí tu mirada de muiraquitã
Ven, déjame ser tu curimã...

Si es más hermoso que el de las chicas de Santarém
¡Qué ojos tiene Iara!
Mírame, Iara, ven!

Escrita por: Mario Gil / Paulo César Pinheiro