395px

Perra

Mariposa Alice

Cadela

Cadela sem dono, mastiga minha carne
E me caga na rua
Cadela no cio, largou em mim teu cheiro
De carente, frágil, crua

Recebi ouro e mirra pelo cordão umbilical
Ainda assim sangrei por birra
Branco, vermelho, vão, vau

Cadela faminta, comeu meu almoço
Remédios e sono
Mas como sinto tua falta
Minha linda cadela sem dono

Das tuas tetas inchadas
Saem só leite azedo e veneno
Você mata minha sede
E me mata, se mata meu medo

Depois de abertos tantos sulcos no meu braço
Algum galeno, acho, conseguiu te despejar
Ainda escuto teu choro, teu uivo de longe
Almejo te convidar pra entrar
Teu pelo sujo é tão tenro de afastar

Suas pulgas roeram minha pele até expor meu nervos
Às vezes de noite teu colo é seguro
E teus dentes pequenos

Cadê minha graça? Meu controle e ignorância?
Pra onde me levou, quando eu era criança?

Você me lapidou e então cativou cadela
Aprendi a viver ao seu lado
Não custa evitar a sequela

Perra

Perra sin dueño, mastica mi carne
Y cagarme en la calle
Perra en celo, dejaste tu olor en mí
De necesitados, frágiles, crudos

Recibí oro y mirra a través del cordón umbilical
Aún así sangré por despecho
Blanco, rojo, adelante, vado

La perra hambrienta se comió mi almuerzo
Medicamentos y sueño
Pero como te extraño
Mi hermoso perro callejero

De tus tetas hinchadas
Sólo sale leche agria y veneno
Tú calmas mi sed
Y me mata, si mata mi miedo

Después de abrir tantos surcos en mi brazo
Algún Galeno, creo, logró desalojarte
Todavía escucho tu llanto, tu aullido desde lejos
Espero poder invitarte a
Tu pelaje sucio es tan tierno que es difícil cepillarlo

Tus pulgas roían mi piel hasta dejar expuestos mis nervios
A veces, por la noche, tu regazo está seguro
Y tus pequeños dientes

¿Dónde está mi gracia? ¿Mi control y mi ignorancia?
¿A dónde me llevó cuando era niño?

Me puliste y luego me cautivaste, perra
Aprendí a vivir a tu lado
No está de más evitar las secuelas

Escrita por: Alice