Algumas Palavras
Meu cachorro morreu
Eu fiquei triste
Mas não chorei
A cachorrada pensou
Que eu desengomava
Um teatro barato
É que eu sou
Meio homem, meio pedra
Que só a vida ferida
Quando o mundo bate
Rebate e quebra
Ah! Se eu fosse uma criança
Que pinta o sete
E vê seu pinto morrer
Por ter a alegria de comer
Uma barata envenenada
Que passeava no bonde da cozinha
Ai! Se eu fosse uma criança
Borboleteando no azul-da-infância
Fotografasse a morte
Com olhos de tantas brincadeiras
E colocar meu pinto
Num saco de dormir
E ele não acordar mais
Aí eu chorava
Chora criança
É uma arma na infância
Não cresça agora
Não cresça já
Brinca brincadeiras
Bola-de-gude, pipa no alto
Pique tá, pique tá
Tá comigo as dores desse mundo
Tá contigo as dores desse mundo
Não cresça agora, não cresça já
Que amanhã eu volto
Pra brincar
Unas palabras
Mi perro murió
Estaba triste
Pero no lloré
El perro pensó
Que me desencarne
Un teatro barato
¿Es que yo soy
Mitad hombre, mitad piedra
Que sólo la vida herida
Cuando el mundo golpea
Golpe y descanso
¡Oh! ¡Oh! Si yo fuera un niño
¿Quién pinta los siete?
Y mira cómo muere tu salchicha
Por tener la alegría de comer
Una cucaracha envenenada
¿Quién montó en el carrito de la cocina
¡Ay! Si yo fuera un niño
Mariposa en la infancia azul
Muerte fotografiada
Con ojos de tantas bromas
Y poner mi salchicha
En un saco de dormir
Y ya no se despierta
Entonces lloré
Niño lloró
Es un arma en la infancia
No crezcas ahora
No crezcas aún
Jugar juegos
canicas, cometa alta
Córtala, córtala
Conmigo los dolores de este mundo
El dolor de este mundo está contigo
No crezcas ahora, no crezcas ya
Que mañana volveré
Para jugar
Escrita por: Marko Andrade, Aljor