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Folhetim / Hizo una tontería / Ronda / Camisa Amarilla (medley)

Marlene

Folhetim / Fez Bobagem / Ronda / Camisa Amarela (medley)

Se acaso me quiseres
Sou dessas mulheres
Que só dizem sim
Por uma coisa à toa
Uma noitada boa
Um cinema, um botequim

E, se tiveres renda
Aceito uma prenda
Qualquer coisa assim
Por uma pedra falsa
Um sonho de valsa
Ou um corte de cetim

E eu te farei as vontades
Direi meias verdades
Sempre à meia luz
E te farei, vaidoso, supor
Que és o maior e que me possuis

Mas na manhã seguinte
Não conta até vinte
Te afasta de mim
Pois já não vales nada
És página virada
Descartada do meu

Moreno fez bobagem
Maltratou meu pobre coração
Aproveitou a minha ausência
Botou mulher sambando no meu barracão

E quando eu penso que outra mulher
Requebrou pra meu moreno ver
Nem dá jeito de cantar
Só dá vontade de chorar e de morrer

Deixou que ela passeasse na favela com meu peignoir
Minha sandália de veludo deu à ela para sapatear
E eu de longe me acabando, trabalhando pra viver
Por causa dele dancei rumba e foxtrote para inglês ver

Meu moreno fez bobagem
Maltratou meu pobre coração
Aproveitou a minha ausência
Botou mulher sambando no meu barracão

E quando eu penso que outra mulher
Requebrou pra meu moreno ver
Nem dá jeito de cantar
Só dá vontade de chorar e de

Noite eu rondo a cidade
A te procurar, sem encontrar
No meio de olhares espio
Em todos os bares
Você não está

Volto pra casa abatida
Desencantada da vida
O sonho, alegria me dá
Nele você está

Ah! Se eu tivesse
Quem bem me quisesse
Esse alguém me diria
Desiste, essa busca é inútil
Eu não desistia

Porém, com perfeita paciência
Sigo a te buscar
Hei de encontrar
Bebendo com outras mulheres
Rolando um dadinho
Jogando bilhar

E nesse dia, então
Vai dar na primeira edição
Cena de sangue num bar
Da avenida

Encontrei o meu pedaço na avenida
De camisa amarela
Cantando a Florisbela, oi, a Florisbela
Convidei-o a voltar pra casa
Em minha companhia
Exibiu-me um sorriso de ironia
E desapareceu no turbilhão da galeria

Não estava nada bom
O meu pedaço na verdade
Estava bem mamado
Bem chumbado, atravessado
Foi por aí cambaleando
Se acabando num cordão
Com o reco-reco na mão

Mais tarde o encontrei
Num café zurrapa
Do Largo da Lapa
Folião de raça
Tomando o quarto copo de cachaça
Isto não é chalaça

Voltou às onze horas da manhã
Mas só na quarta-feira
Cantando A Jardineira, oi, A Jardineira
Me pediu ainda zonzo
Um copo d'água com bicarbonato

O meu pedaço estava ruim de fato
Pois caiu na cama
E não tirou nem o sapato

Roncou uma semana
Despertou mal humorado
Quis brigar comigo
Que perigo, mas não ligo
O meu pedaço me domina
Me fascina, ele é o tal
Por isso não levo a mal

Pegou a camisa, a camisa amarela
E botou fogo nela
Gosto dele assim
Passada a brincadeira
E ele é pra mim
Meu Senhor do Bonfim

Folhetim / Hizo una tontería / Ronda / Camisa Amarilla (medley)

Si acaso me quieres
Soy de esas mujeres
Que solo dicen sí
Por cualquier cosa
Una buena noche
Un cine, un bar

Y, si tienes dinero
Acepto un regalo
Cualquier cosa así
Por una piedra falsa
Un sueño de vals
O un corte de satén

Y te concederé tus deseos
Diré medias verdades
Siempre a media luz
Y te haré, vanidoso, suponer
Que eres el mejor y que me posees

Pero a la mañana siguiente
No cuentes hasta veinte
Aléjate de mí
Porque ya no vales nada
Eres página pasada
Descartada de mi

Moreno hizo una tontería
Maltrató mi pobre corazón
Aprovechó mi ausencia
Puso a una mujer bailando en mi barracón

Y cuando pienso que otra mujer
Se contoneó para que mi moreno viera
Ni siquiera puedo cantar
Solo dan ganas de llorar y morir

Permitió que ella paseara por la favela con mi bata
Le dio mis sandalias de terciopelo para zapatear
Y yo desde lejos, muriéndome, trabajando para vivir
Por su culpa bailé rumba y foxtrot para que lo viera un inglés

Mi moreno hizo una tontería
Maltrató mi pobre corazón
Aprovechó mi ausencia
Puso a una mujer bailando en mi barracón

Y cuando pienso que otra mujer
Se contoneó para que mi moreno viera
Ni siquiera puedo cantar
Solo dan ganas de llorar y de

De noche recorro la ciudad
Buscándote, sin encontrarte
Entre miradas espío
En todos los bares
Tú no estás

Vuelvo a casa abatida
Desencantada de la vida
El sueño, la alegría me da
En él estás tú

¡Ah! Si tuviera
A alguien que me quisiera de verdad
Esa persona me diría
Ríndete, esta búsqueda es inútil
Yo no me rendiría

Pero con paciencia perfecta
Sigo buscándote
He de encontrarte
Bebiendo con otras mujeres
Tirando los dados
Jugando billar

Y en ese día, entonces
Saldrá en la primera edición
Escena de sangre en un bar
De la avenida

Encontré mi pedazo en la avenida
Con camisa amarilla
Cantando Florisbela, oi, Florisbela
Lo invité a volver a casa
En mi compañía
Me mostró una sonrisa irónica
Y desapareció en el torbellino de la galería

No estaba nada bien
Mi pedazo, en realidad
Estaba muy borracho
Muy pasado, atravesado
Fue tambaleándose por ahí
Acabando en un cordón
Con el reco-reco en la mano

Más tarde lo encontré
En un café barato
En el Largo da Lapa
Foliador de raza
Tomando el cuarto vaso de cachaça
Esto no es broma

Regresó a las once de la mañana
Pero solo el miércoles
Cantando A Jardineira, oi, A Jardineira
Me pidió, aún mareado
Un vaso de agua con bicarbonato

Mi pedazo estaba realmente mal
Porque se tiró en la cama
Y ni siquiera se quitó los zapatos

Roncó una semana
Despertó de mal humor
Quiso pelear conmigo
Qué peligro, pero no me importa
Mi pedazo me domina
Me fascina, es el indicado
Por eso no lo tomo a mal

Tomó la camisa, la camisa amarilla
Y le prendió fuego
Me gusta así
Pasada la broma
Y él es para mí
Mi Señor del Bonfim

Escrita por: Ary Barroso / Assis Valente / Chico Buarque / Paulo Vanzolini