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Riqueza de Verdade

Matheus Souto

Riqueza de Verdade

Se engana quem diz
Que o que se tem é o que te faz feliz
Bom mesmo nessa vida é ser dono do próprio nariz

O dinheiro é doce, mas melhor te avisar
Quando a mosca cai no mel não consegue mais voar

Nada é de fato meu, meu, meu
Nem esse corpo que o mundo me deu, deu
Melhor é eu nem me preocupar
Eu sei que eu vou conseguir
Se eu precisar

A terra é da Terra
E o seu fruto ela nós dá
Não existe minha terra
Nem mesmo se eu cercar

Porquê a riqueza de verdade
É o que acontece quando alguém
Não deseja nada mais do que aquilo que já tem

Nada é de fato seu, seu, seu
Nem esse corpo que o mundo te deu, deu
Melhor é nem se apegar
Você está só de passagem
Aqui, neste lugar

O modo de acessar o território, é coletivo
A governança desse território, compartilhada
Com responsabilidade, acerca de todos os eventos
Que acontecem dentro desse território
É uma marca do modo de gestão territorial indígena
Dentro de um território indígena, ninguém é dono do lote
Também você não tem herança
Você nasce, vive e morre
Não tem poupança
E também não tem sentido aposentadoria
É difícil para alguém que nasceu fora do sistema de indigenato, entender isso
Ninguém mais vive o uso coletivo de território, é tudo privado
Porque aí já entrou a ideia da propriedade
A ideia da herança
É a mentalidade capitalista, tudo é mercadoria, até a vida
O grande dilema hoje no Brasil é
Os caras vão aposentar depois de morto ou ainda vivo?
É muito mau gosto, é muita burrice também

Riqueza de Verdade

Se engaña quien dice
Que lo que se tiene es lo que te hace feliz
Lo mejor en esta vida es ser dueño de tu propio destino

El dinero es dulce, pero es mejor advertirte
Cuando la mosca cae en la miel, ya no puede volar

Nada es realmente mío, mío, mío
Ni siquiera este cuerpo que el mundo me dio, dio
Mejor es ni siquiera preocuparme
Sé que lo lograré
Si lo necesito

La tierra es de la Tierra
Y sus frutos nos da
No existe mi tierra
Ni siquiera si la cerco

Porque la verdadera riqueza
Es lo que sucede cuando alguien
No desea nada más que lo que ya tiene

Nada es realmente tuyo, tuyo, tuyo
Ni siquiera este cuerpo que el mundo te dio, dio
Mejor es no apegarse
Estás solo de paso
Aquí, en este lugar

La forma de acceder al territorio es colectiva
La gobernanza de ese territorio es compartida
Con responsabilidad sobre todos los eventos
Que ocurren dentro de ese territorio
Es una característica del modo de gestión territorial indígena
Dentro de un territorio indígena, nadie es dueño del lote
Tampoco tienes herencia
Naces, vives y mueres
No hay ahorros
Y tampoco tiene sentido la jubilación
Es difícil para alguien que nació fuera del sistema de indigenato entender esto
Nadie más vive el uso colectivo del territorio, todo es privado
Porque ahí ya entra la idea de la propiedad
La idea de la herencia
Es la mentalidad capitalista, todo es mercancía, incluso la vida
El gran dilema hoy en Brasil es
¿Los tipos se jubilarán después de muertos o aún vivos?
Es de muy mal gusto, es también mucha estupidez

Escrita por: Matheus Souto