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Carta

Matiz

Carta

Passo e penso
O dia inteiro
Enganando segredos
Desvendando você

Finjo e ouço
O seu sorriso
Falseando uma frase
Inventando um porque

Não choro, não grito, não passo um café
Não leio Pessoa, nem Baudelaire
Não perco a graça, como uma qualquer
Nem fumo um cigarro, só compro minha fé
E assim sigo em frente, sem nunca dar ré
Enfim, não me mostro, fico de pé
Confirmo, insisto, não te amo sequer
Mas se voltar, estou aqui, se quiser...

Sei
Que perdi a compostura
Mas a essa altura
Não vou disfarçar
Vai
Com seu beijo inventado
E patenteado
Alguém machucar

Não rezo, não sofro de olho fechado
Não fico sozinha no meio do asfalto
Nem no escuro relembrando o passado
Esqueço e apago meu "eu" delicado
Sorrio e me orgulho de todo pecado
De pé eu caminho com meu salto alto
Não canso, respiro um ar emprestado
E ando comigo, assim, lado a lado.

Carta

Paso y pienso
Todo el día
Engañando secretos
Descubriéndote

Fingo y escucho
Tu sonrisa
Falsificando una frase
Inventando un porqué

No lloro, no grito, no preparo café
No leo a Pessoa, ni a Baudelaire
No pierdo la gracia, como cualquier otra
Ni fumo un cigarrillo, solo compro mi fe
Y así sigo adelante, sin retroceder nunca
En fin, no me muestro, me mantengo de pie
Confirmo, insisto, ni siquiera te amo
Pero si regresas, aquí estoy, si quieres...

Sé
Que perdí la compostura
Pero a estas alturas
No voy a disimular
Ve
Con tu beso inventado
Y patentado
Lastimar a alguien

No rezo, no sufro con los ojos cerrados
No me quedo sola en medio del asfalto
Ni en la oscuridad recordando el pasado
Olvido y borro mi 'yo' delicado
Sonrío y me enorgullezco de cada pecado
De pie camino con mis tacones altos
No me canso, respiro un aire prestado
Y camino conmigo, así, lado a lado.

Escrita por: Daniel Albuquerque / Mariana Diniz