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Sina de Poeta

Mau Sant'Anna

Sina de Poeta

Deus me livre ser poeta
Pra sentir a dor do mundo
Preferia a linha reta
Sem dilemas tão profundos

Na verdade, tal ofício
Não se escolhe simplesmente
Seja vocação ou vício
Traz sequela permanente

Mesmo sendo amargurado
Com razão nessa lambança
O poeta é condenado
A cantar a esperança

Ademais, está fadado
A viver do amor alheio
Sem o seu concretizado
Segue atrás do que não veio

E da insurreição tardia
Que hoje é só melancolia
Pra quem ousa conspirar

Nos poetas, afinal
Não há vida pessoal
Nem há dor particular

Sina de Poeta

Dios me libre de ser poeta
Para sentir el dolor del mundo
Preferiría la línea recta
Sin dilemas tan profundos

En realidad, tal oficio
No se elige simplemente
Ya sea vocación o vicio
Trae secuelas permanentes

Aunque esté amargado
Con razón en este lío
El poeta está condenado
A cantar la esperanza

Además, está destinado
A vivir del amor ajeno
Sin el suyo concretado
Sigue detrás de lo que no vino

Y de la insurrección tardía
Que hoy es solo melancolía
Para quien se atreve a conspirar

En los poetas, al final
No hay vida personal
Ni hay dolor particular

Escrita por: Fábio Carvalho / Pedro Nathan