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Golpeado

Mauro Moraes

Cascoteado

Eu nasci no Toro Passo, me criei no aferidor
Aprendi quebrando casco às voltas do corredor
Não suporto o arruaceiro e o barracho me dá asco
Criei vergonha na cara vendo os outros fazer fiasco

Não refugo em porteira nem durmo dentro de sanga
Pra me voltear pra mangueira precisa sinuelo e manga
Eu nado sem bater braço, corro sem levantar pó
E sou como o quero-quero que dorme com um olho só

Quem quiser me embuçalar ou me tosar desmaneado
Vai botar fora a carreira pois tenho por precavido
Muito sarandi cortado, muito café na chaleira

Não vou em baile de cobra sem levar um pau de jeito
Deixando o pingo encilhado e por fora do parapeito
Não há arisco que não caia, mas o diabo é meu padrinho
Sou coruja cascoteada, moro à beira do caminho
Ninguém me pega entocada, nem "pichão" fora do ninho!

Golpeado

Yo nací en Toro Passo, me crié en el medidor
Aprendí a romper cascos dando vueltas por el corredor
No soporto al alborotador y el borracho me da asco
Me dio vergüenza ver a otros hacer el ridículo

No me quedo en la puerta ni duermo dentro de un charco
Para darme la vuelta a la manguera necesito un giro y un mango
Nado sin mover los brazos, corro sin levantar polvo
Y soy como el avefría que duerme con un ojo solo

Quien quiera embaucarme o cortarme sin cuidado
Va a perder su carrera porque soy precavido
Mucho sarandí cortado, mucho café en la tetera

No voy a baile de serpientes sin llevar un palo a mano
Dejando el caballo ensillado y fuera del parapeto
No hay arisco que no caiga, pero el diablo es mi padrino
Soy búho golpeado, vivo al borde del camino
¡Nadie me atrapa escondido, ni

Escrita por: Colmar Duarte / MAURO MORAES