Negro Não Nego
Minha pele é parda
Meu cabelo é enrolado
Eu digo que sou negro
Eles dizem que sou mulato
Mulato vem de mula
E eu não sou bicho
Eu repito que sou negro
Eles insistem que sou mestiço
Olhe nos olhos daquela criança o que você vê?
Eu vejo o reflexo do que tá na TV
Olhe nos olhos daquela criança, o que você acha?
Ela é feliz, aprendendo que seu cabelo não se enquadra?
Olhe pra ela, querendo ser que nem a modelo
Diz porque uma criança de 10 anos alisa o cabelo?
A única negra em destaque chamam de mulata
E quando falam da minha cor, eles chamam de raça
Aquela criança vai crescer com as novela
Onde só tem preto nas senzala e nas favela
Aquela criança não vai querer ser negra em nada
E o IBGE adora colocar pessoas negras como pardas
País multiétnico só nas pesquisas
Porque quando olho pra TV, brancos são maioria
Onze mortos na França, dois mil em Baga
Je suis Charles? Não, eu sou África
Negro não nego
Negro não nego
Negro não nego
Negro não nego
Não é complexo esse seu preconceito, caô
É complexo esse teu medo de se ver inferior
Marcado na pele, o que eu sou, a minha índole
O seu racismo idiota, não é a minha síndrome
Navios negreiros roubaram nossa auto estima
Capitães do mato traíram a nossa melanina
Foram anos de ódio, não existe um dia
Um feriado é muito pouco, não cura quem discrimina
Somos todos iguais, não na fila do banco
A porta sempre trava quando um preto ta passando
Somos todos iguais, não pra policia
Que adora sumir com jovens negros da periferia
Me odeiam pela minha cor, dedo em riste
Tenho orgulho do que eu sou, eles não, são infelizes
Meu cabelo enrolado é bom, aceita isso aí
No fim das contas, só seu preconceito que é ruim
Negro não nego
Negro não nego
Negro não nego
Negro não nego
Me falou que cabelo ruim é cabelo crespo
O mesmo acha que a princesa libertou os negro
Me falou que dia da consciência negra é regresso
O mesmo falou o cara que sofre de racismo inverso
Senhor de engenho porque me odeia tanto?
Construí esse País e quem ficou com a glória foi um branco
Nas minhas costas que os pilares se ergueram
Cotas? Nunca pedi pra ser escravo, esqueceram?
Cota não é segregação, é inclusão, aí cusão
Se você é branco, não vai perder sua vaga pra mim não
Não precisa esconder a bolsa, para!
400 anos de escravização dinheiro nenhum pode pagar
E se eu não quero ter que ouvir suas piada
Não é vitimismo é que a gente não ve graça
E se você acha o Gentilli engraçado
Desculpa aí, mas eu não sou obrigado
Negro no lo niego
Mi piel es morena
Mi cabello es rizado
Digo que soy negro
Ellos dicen que soy mulato
Mulato viene de mula
Y yo no soy un animal
Reitero que soy negro
Ellos insisten en que soy mestizo
Mira a los ojos de ese niño, ¿qué ves?
Veo el reflejo de lo que está en la TV
Mira a los ojos de ese niño, ¿qué piensas?
¿Es feliz, aprendiendo que su cabello no encaja?
Míralo, queriendo ser como el modelo
¿Por qué un niño de 10 años alisa su cabello?
La única negra destacada la llaman mulata
Y cuando hablan de mi color, lo llaman raza
Ese niño crecerá viendo novelas
Donde solo hay negros en las senzalas y favelas
Ese niño no querrá ser negro en nada
Y el IBGE adora clasificar a las personas negras como pardas
País multiétnico solo en las encuestas
Porque cuando veo la TV, los blancos son mayoría
Once muertos en Francia, dos mil en Baga
¿Soy Charles? No, soy África
Negro no lo niego
Negro no lo niego
Negro no lo niego
Negro no lo niego
No es complejo tu prejuicio, es puro cuento
Es complejo tu miedo a sentirte inferior
Marcado en la piel, lo que soy, mi esencia
Tu racismo idiota, no es mi síndrome
Los barcos negreros nos robaron la autoestima
Capataces traicionaron nuestra melanina
Años de odio, no hay un solo día
Un feriado es muy poco, no cura a quien discrimina
Todos somos iguales, no en la fila del banco
La puerta siempre se traba cuando pasa un negro
Todos somos iguales, no para la policía
Que adora hacer desaparecer a jóvenes negros de la periferia
Me odian por mi color, señalando con el dedo
Tengo orgullo de lo que soy, ellos no, son infelices
Mi cabello rizado es bueno, acepta eso
Al final, tu prejuicio es lo malo
Negro no lo niego
Negro no lo niego
Negro no lo niego
Negro no lo niego
Me dijiste que el cabello malo es el crespo
Piensas que la princesa liberó a los negros
Dices que el día de la conciencia negra es un retroceso
Lo mismo dice el que sufre de racismo inverso
¿Señor de ingenio, por qué me odias tanto?
Construí este país y la gloria se la llevó un blanco
Sobre mis espaldas se levantaron los pilares
¿Cuotas? Nunca pedí ser esclavo, ¿olvidaron?
Cuota no es segregación, es inclusión, idiota
Si eres blanco, no perderás tu lugar por mí
No escondas la beca, ¡para!
400 años de esclavitud, ningún dinero puede pagar
Y si no quiero escuchar tus chistes
No es victimismo, es que no tienen gracia
Y si te parece gracioso Gentilli
Lo siento, pero no estoy obligado