Os Doze Trabalhos
Trago os grilhões dessa ignorância,
Arrasto correntes, crio calos nas mãos
Engulo o suor com toda intolerância,
Mil chibatadas de joelhos no chão
Eu sou escravo das costas marcadas,
Das feridas abertas e da honra mutilada
Puxo doze horas, cumpro os doze trabalhos,
Sou a carta de menor valor do baralho
Liberdade, ó liberdade
Abra suas asas negras sobre nós
Liberdade, ó liberdade
Não agüento mais ouvir a tua voz
Não tenho mais hora pra dormir,
Não tenho mais hora pra acordar
Estou aqui só pra te servir,
Acato o que o mestre mandar
Quanto mais eu luto mais eu apanho,
A senzala gemendo ensaia sua grito
Enquanto em silêncio ainda existo,
Guardo uma dor que não sabe o tamanho
Los Doce Trabajos
Traigo las cadenas de esta ignorancia,
Arrastro grilletes, me forman callos en las manos
Trago el sudor con toda intolerancia,
Mil latigazos de rodillas en el suelo
Soy esclavo de las espaldas marcadas,
De las heridas abiertas y del honor mutilado
Trabajo doce horas, cumplo los doce trabajos,
Soy la carta de menor valor en la baraja
Libertad, oh libertad
Extiende tus alas negras sobre nosotros
Libertad, oh libertad
Ya no aguanto más escuchar tu voz
Ya no tengo hora para dormir,
Ya no tengo hora para despertar
Estoy aquí solo para servirte,
Acato lo que el maestro ordene
Cuanto más lucho más recibo golpes,
La senzala gimiendo ensaya su grito
Mientras en silencio aún existo,
Guardo un dolor cuya magnitud desconoce
Escrita por: Marcello Kaskadura