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Corazón Zombi

Melvin & Os Inoxidáveis

Coração Zumbi

Amanheceu, tempo passou
E ele queria mais
A estratosfera onde encontrou
A almejada paz
Que ele nunca conheceu
Jamais acreditou

Então olhou, não entendeu
Qual era a sua função
Naquela empresa, aquela loja
Aquela fundação
Descrita dentro do crachá
De identificação

Ouviu o chefe reclamar
Por que você parou?
Está doente, apaixonado
Ou desencantou?
Meu filho, não quero saber
Se o salário não bastou

Seguiu se arrastando meio
Tolo sem saber falar
Vocabulário, pensamento
Nada a comentar
E o mundo todo ao seu redor
Não podia ser pior

Que a multidão
E nada além
Queria ser
Da multidão, também

E pertencer, reconhecer
Corresponder
Ao outro ser
E pertencer, reconhecer
Fazer cumprir
O seu dever, quem dera

Num gesto derradeiro de
Aproximação
Estendeu o braço, o peito aberto
À civilização
Tentou falar o que sentiu
Mas ninguém sequer ouviu

Envergonhado enclausurou-se dentro
De si mesmo
E a vontade, e esperança
Que deixou a esmo
Nenhuma serventia
E lá fora ainda ouvia

A multidão
E nada além
Queria ser
Da multidão, também

Corazón Zombi

Amaneció, el tiempo pasó
Y él quería más
La estratosfera donde encontró
La ansiada paz
Que nunca conoció
Jamás creyó

Entonces miró, no entendió
Cuál era su función
En esa empresa, esa tienda
Esa fundación
Descrita en su placa
De identificación

Escuchó al jefe quejarse
¿Por qué te detuviste?
¿Estás enfermo, enamorado
O desencantado?
Hijo mío, no quiero saber
Si el salario no fue suficiente

Siguió arrastrándose medio
Tonto sin saber hablar
Vocabulario, pensamiento
Nada que comentar
Y el mundo a su alrededor
No podía ser peor

Que la multitud
Y nada más
Quería ser
De la multitud, también

Y pertenecer, reconocer
Corresponder
Al otro ser
Y pertenecer, reconocer
Cumplir
Con su deber, ojalá

En un gesto final de
Aproximación
Extendió el brazo, el pecho abierto
A la civilización
Intentó expresar lo que sintió
Pero nadie siquiera escuchó

Avergonzado se encerró
Dentro de sí mismo
Y la voluntad, y la esperanza
Que dejó al azar
No tenían utilidad
Y aún escuchaba afuera

La multitud
Y nada más
Quería ser
De la multitud, también

Escrita por: Marco Homobono / Maurício Limeira