José
Calculei o norte, fiei-me na sorte, dei uma de forte de fui
Contornei os velhos, contra e conselhos, cantos e canteiros fui
Descobri o mundo ao fundo do jardim
Desenhei um mapa, fiz dum pano a capa, fiz planos utópicos
Ao sabor dos ventos e dos mantimentos, em coca-cola e Mentos, fui
Aos confins do mundo, ao fundo do jardim.
Desbravando mato, traçando o trajeto onde aponta o carapim
Piquei-me num cacto, pisei rabo de gato, perdi-me pelo capim
Vi o fim do mundo no portão do fundo, defendi a vida a pau
Fugi dum insecto, pisei um dejeto, passei perto de um lacrau
Foi assim que eu vi do mundo os seus confins
Só me resta a astúcia dum cão de pelúcia enquanto o sol desaparece
E um Action Force que em código morse enviou um SOS
Descobri a custo o fim do mundo assim
Até que um rugido muito enfurecido fez tremer todo o jardim
Será que é ciclone, algum dragão com fome ou bicho muito mais ruim?
Era a voz da minha mãe a perguntar por mim.
José
I charted the course, trusted my luck, acted tough and went
I dodged the old folks, ignored their advice, wandered through paths and gardens
I discovered the world at the end of the yard
I drew a map, made a cape from a cloth, crafted utopian plans
Riding the winds and the supplies, with Coke and Mentos, I went
To the ends of the earth, to the end of the yard.
Clearing the brush, tracing the path where the wild grass points
I pricked myself on a cactus, stepped on a cat's tail, got lost in the grass
I saw the end of the world at the back gate, defended life with a stick
I ran from a bug, stepped in some crap, passed close to a scorpion
That's how I saw the world's edges
All that's left is the cunning of a stuffed dog as the sun disappears
And an Action Force that sent an SOS in Morse code
I discovered the end of the world at a cost
Until a furious roar shook the whole yard
Is it a cyclone, some hungry dragon, or something much worse?
It was my mom's voice asking for me.
Escrita por: Miguel Araújo