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Bomba Reloj

Miguel Luz

Bomba Relógio

Vim cá parar outra vez
Pedras da calçada e tu a querer jogar xadrez
Ela apresenta o caso e não há margem pra manobra
E eu remendo as fendas só com rolo de fita cola
Pões olhar de passerelle
Vais de verde a vermelho sem pensar em amarelo
Viras o sinal de aberto para o outro lado
Essa tua atenção diagonal

É uma cãibra a meio da noite
Chego à festa sem convite
És tão boa anfitriã que me convidas a sair

Eu nunca, nunca sei quando é que vem a próxima vez
Que eu vou bater à porta e tu te afastas em bicos de pés
Nem cerimónia fazes
Se eu ligar pro teu 91
É como amar uma bomba relógio
Sem ponteiro nenhum

Fui-te apanhar a casa
Soprava pra apagar mas só fez atiçar a brasa
Até o Ford Focus sentiu a tensão no ar
E o botão dos quatro piscas acendeu sem eu tocar
Só pra tentar chegar a ti eu corro um corta-mato
Pelo meio de uma selva de arame farpado
Fico a fazer malabarismo à frente do teu carro
E tu a olhar pro lado

É uma cãibra a meio da noite
Chego à festa sem convite
És tão boa anfitriã que me convidas a sair

Eu nunca, nunca sei quando é que vem a próxima vez
Que eu vou bater à porta e tu te afastas em bicos de pés
Nem cerimónia fazes
Se eu ligar pro teu 91
É como amar uma bomba relógio
Sem ponteiro nenhum

És tão fria de repente
Aquele tom de voz, tenho um mau pressentimento
O céu passa de azul a cinzento
Disparas palavras e eu sou o alvo em movimento e ouço

Eu nunca, nunca sei quando é que vem a próxima vez
Que eu vou bater à porta e tu te afastas em bicos de pés
Nem cerimónia fazes
Se eu ligar pro teu 91
É como amar uma bomba relógio
Sem ponteiro nenhum

Bomba Reloj

Vine a parar otra vez
Piedras de la acera y tú queriendo jugar ajedrez
Ella presenta el caso y no hay margen para maniobrar
Y yo remiendo las grietas solo con un rollo de cinta
Pones mirada de pasarela
Vas de verde a rojo sin pensar en amarillo
Cambias la señal de abierto para el otro lado
Esa tu atención diagonal

Es un calambre a media noche
Llego a la fiesta sin invitación
Eres tan buena anfitriona que me invitas a salir

Nunca, nunca sé cuándo vendrá la próxima vez
Que voy a tocar la puerta y tú te alejas de puntitas
Ni ceremonia haces
Si llamo a tu 91
Es como amar una bomba reloj
Sin manecillas ninguna

Fui a buscarte a casa
Soplaba para apagar pero solo avivó la brasa
Hasta el Ford Focus sintió la tensión en el aire
Y el botón de las cuatro direccionales se encendió sin que yo tocara
Solo para intentar llegar a ti corro un campo traviesa
En medio de una selva de alambre de púa
Me quedo haciendo malabares frente a tu auto
Y tú mirando hacia otro lado

Es un calambre a media noche
Llego a la fiesta sin invitación
Eres tan buena anfitriona que me invitas a salir

Nunca, nunca sé cuándo vendrá la próxima vez
Que voy a tocar la puerta y tú te alejas de puntitas
Ni ceremonia haces
Si llamo a tu 91
Es como amar una bomba reloj
Sin manecillas ninguna

Eres tan fría de repente
Ese tono de voz, tengo un mal presentimiento
El cielo pasa de azul a gris
Disparas palabras y yo soy el blanco en movimiento y escucho

Nunca, nunca sé cuándo vendrá la próxima vez
Que voy a tocar la puerta y tú te alejas de puntitas
Ni ceremonia haces
Si llamo a tu 91
Es como amar una bomba reloj
Sin manecillas ninguna