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Heraldo

Miguel Rabello

Arauto

Minha casa é o chão da campina
A minha rotina é uma estrada
É prado, é pedra, é pó, é sina!

Cruzo vale e grotão
Corro em beira de mar
Passo na cerração
Atravesso luar
Tenho orvalho na mão

Ventania no olhar
Sou espada no chão
Sou navalha no ar
Corto serra e sertão
Ando ao Deus-me-dará
Qualquer lugar

Minha cama é a lua dobrada
O meu cobertor é a neblina
É grama, é charco, é vau
É tronco, é pau

Em chapada, vertende e areal
No galope do meu alazão
Só tenho o meu embornal
Meu rifle e meu cinturão
Cavaleiro do Santo Graal
Violeiro, poeta e artesão
Eu sei pregão de jogral
Eu sei missal de cristão

Já me fechei pro mal
Com a cruz de São Romão
Já vi o seu sinal

Minha vida é luz peregrina
Uma estrela azul prateada
Que brilha, aonde eu for
Em mina, em fonte, em flor

Piso onde eu quiser com meu cavalo
Pois jamais nasci pra ser vassalo
Nunca me abalei, e nem me abalo
Com seu doutor, com o poder, com feitor
Casco de trovão, crina de raio
Vai chispando o meu cavalo baio
Sou arauto do Treze de Maio
Porque sou livre e sou libertador
Sou livre e sou libertador

Heraldo

Mi hogar es el suelo de la pradera
Mi rutina es un camino
Es pasto, es piedra, es polvo, es destino!

Cruzo valles y barrancos
Corro en la orilla del mar
Paso por la neblina
Atravieso el claro de luna
Tengo rocío en la mano

Viento en la mirada
Soy espada en la tierra
Soy navaja en el aire
Corto sierras y desiertos
Ando sin rumbo fijo
En cualquier lugar

Mi cama es la luna doblada
Mi cobertor es la neblina
Es pasto, es charco, es vado
Es tronco, es palo

En mesetas, vertientes y arenales
Al galope de mi corcel
Solo tengo mi alforja
Mi rifle y mi cinturón
Caballero del Santo Grial
Cantautor, poeta y artesano
Sé de pregones de juglar
Sé de misales de cristiano

Ya me cerré al mal
Con la cruz de San Román
Ya vi su señal

Mi vida es luz peregrina
Una estrella azul plateada
Que brilla, donde sea que vaya
En mina, en fuente, en flor

Piso donde quiera con mi caballo
Pues nunca nací para ser siervo
Nunca me he tambaleado, ni me tambalearé
Ante su señoría, ante el poder, ante el capataz
Casco de trueno, crin de rayo
Va centelleando mi caballo bayo
Soy heraldo del Trece de Mayo
Porque soy libre y soy libertador
Soy libre y soy libertador

Escrita por: Miguel Rabello / Paulo César Pinheiro