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Casa Caiada

Miguel Rabello

Casa Caiada

Casa caiada sem tranca
Um ribeirão na barranca
Com flor boiando na água branca
Lugar da gente se banhar
Beira de Itororó
Árvore de cipó
Ramada de ouvir curió

Lua, roseira, perfume
Cão, beija-flor, vagalume
Um som de doce amor, queixume
Na rede de se balançar
Pé de manjericão
Céu de caramanchão
Beiral de dormir azulão

Chão de cavalo e boi
De terra de a pé andar
Não sei se vai ser ou foi
Esse lugar
Mas sou sonhador
Deixa eu sonhar
Um canto assim
Vou encontrar
E nunca mais
Saio de lá

Casa Caiada

Casa encalada sin cerradura
Un arroyo en la orilla
Con flores flotando en el agua blanca
Lugar donde la gente se baña
Al borde de Itororó
Árbol de bejuco
Cobertizo para escuchar al curió

Luna, rosal, perfume
Perro, colibrí, luciérnaga
Un sonido de dulce amor, lamento
En la hamaca balanceándose
Pie de albahaca
Cielo de enramada
Alero para dormir azulejo

Suelo de caballo y buey
De tierra para caminar
No sé si será o fue
Este lugar
Pero soy soñador
Déjame soñar
Un rincón así
Voy a encontrar
Y nunca más
Saldré de allí

Escrita por: Miguel Rabello / Paulo César Pinheiro