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Carne Barata

Mil Virgulino

Carne Barata

Vim de longe léguas
Terra espacial
Vozes da caverna
Do chão do pantanal

Eu vivi pra ver todo homem mudar
Das trevas do seu criador
Que criador, o quê?
Que criador?

Não posso mais sair descalço
Não posso mais (não posso mais)
Vou perecendo ao que me come
Esperando a minha vez de

Ser devorada
Pelo povo do senado
Eu que era abestalhada
Tenho que me esforçar

pra me tornar alguém
Um tanto civilizada
Pro meu povo da catinga
Um dia me ver retornar

Ser devorada
Nordeste carne barata
Explorando as minhas matas
Ver meu povo a queimar

pra me tornar alguém
Um tanto civilizada
Pro meu povo da catinga
Um dia me ver retornar

E vão ver o que não sou
Só o que pareço ser!

Vim de longe léguas, onde habitam ancestrais!

Carne Barata

Vine de lejos, leguas
Tierra espacial
Voces de la caverna
Del suelo del pantano

He vivido para ver a todo hombre cambiar
De las tinieblas de su creador
¿Qué creador, qué?
¿Qué creador?

Ya no puedo salir descalzo
Ya no puedo más (ya no puedo más)
Voy pereciendo a lo que me come
Esperando mi turno de

Ser devorada
Por el pueblo del senado
Yo, que era ingenua
Tengo que esforzarme

para convertirme en alguien
Un tanto civilizada
Para mi gente del monte
Algún día verme regresar

Ser devorada
Noreste carne barata
Explorando mis selvas
Ver a mi gente arder

para convertirme en alguien
Un tanto civilizada
Para mi gente del monte
Algún día verme regresar

Y verán lo que no soy
¡Solo lo que parezco ser!

Vine de lejos, leguas, ¡donde habitan ancestros!

Escrita por: Mil Virgulino