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De Traje y Corbata

Miltinho Rodrigues

De Terno e Gravata

Se eu vivo aqui na cidade
Não é vaidade não é ilusão
Fui obrigado pelos meus estudos
A deixar as belezas lá do meu sertão

Eu me vejo diante do espelho
Com os olhos vermelhos
Começo a chorar
Estou dentro de um terno e gravata
Pra morrer só me falta a saudade apertar

Se eu me deito na cama não durmo
E fumando um cigarro começo a lembrar
Eu me vejo tocando o berrante
E a boiada contente a me acompanhar

Mas tudo isso não passa de um sonho
Na realidade é um sonho em vão
O meu pai só me aceita de volta
Se eu regressar com o diploma na mão

Meu velho pai não se preocupe
Tenha paciência, vou lhe entregar
O meu diploma em suas mãos
Somente para lhe agradar

Eu tenho pressa de chegar o dia
De pegar as malas e regressar
De dar adeus a minha faculdade
Embora a saudade me faça lembrar

Quero levar no peito a lembrança
Da república onde vivi
Quero voltar a rever os meus rios
Cascatas e serras onde eu nasci

De Traje y Corbata

Si vivo aquí en la ciudad
No es vanidad, no es ilusión
Fui obligado por mis estudios
A dejar las bellezas allá en mi tierra natal

Me veo frente al espejo
Con los ojos rojos
Comienzo a llorar
Estoy dentro de un traje y corbata
Para morir solo me falta que la nostalgia apriete

Si me acuesto en la cama no duermo
Y fumando un cigarrillo comienzo a recordar
Me veo tocando el cuerno
Y el ganado contento siguiéndome

Pero todo esto no es más que un sueño
En realidad es un sueño en vano
Mi padre solo me aceptará de vuelta
Si regreso con el diploma en mano

Mi viejo padre, no te preocupes
Ten paciencia, te lo entregaré
Mi diploma en tus manos
Solo para complacerte

Tengo prisa por que llegue el día
De tomar las maletas y regresar
De despedirme de mi universidad
Aunque la nostalgia me haga recordar

Quiero llevar en el pecho el recuerdo
De la residencia donde viví
Quiero volver a ver mis ríos
Cascadas y montañas donde nací

Escrita por: Mangabinha / Miltinho Rodrigues